Criminalistas fazem ato de repúdio à prisão de Viana
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de dezembro de 2005
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
O Dia Nacional do Advogado Criminalista, comemorado na última sexta-feira, transformou-se num ato de solidariedade e repudio à prisão do colega londrinense Antonio Carlos de Andrade Viana. O fato ocorreu dia 25 de novembro, quando agentes do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco), vinculado à Promotoria de Investigações Criminais (PIC), realizaram uma fiscalização na casa de shows Shirogohan. A denúncia é que no local ocorria exploração sexual de menores, não confirmada na ocasião. No entanto, foram encontradas e apreendidas três pistolas 380 municiadas e uma escopeta de calibre 12.
Viana foi preso por desacato à autoridade e levado algemado para a sede da PIC junto com seus clientes Claudemir Medeiros, 39 anos, e José Carlos Medeiros, 38 anos. ''O despreparo de dois policiais militares impediu que eu exercesse meu dever profissional. Protestei contra essa arbitrariedade e abuso de poder como era direito. Não vou processá-los, mas quero que o fato sirva de exemplo para que erros semelhantes não voltem a acontecer'', disse o advogado, que é vice-presidente da Associação dos Advogados Criminalistas de Londrina e Região.
Segundo Elias Mattar Assad, presidente da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas, a prisão de Viana demonstra desconhecimento da legislação, em particular do artigo 355, do Código Penal, que penaliza o advogado infiel ao cliente com detenção de seis meses a três anos e perda do registro profissional. ''Foi uma violação dupla na medida em que desrespeitaram o direito de um defensor de cidadãos'', resumiu Assad, que acumula o cargo de presidente da Comissão Estadual de Prerrogativas Profissionais da OAB-PR.
Durante a confraternização de Londrina, Assad adiantou à categoria que a Associação Brasileira de Advogados Criminalistas quer realizar na cidade o 1º Encontro das Comissões Estaduais de Prerrogativas Profissionais da OAB, entre abril e maio de 2006, para discutir o desrespeito à classe.


