Criminalidade na Tomi Nakagawa preocupa frequentadores
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
Assaltos, presença de usuários de drogas, clima de insegurança. A ação dos flanelinhas ocorrendo a qualquer hora do dia ou da noite. Este é o cenário da Praça Tomi Nakagawa, no centro de Londrina, que deveria ser um dos cartões-postais da cidade e hoje está tomada por problemas.
Para o aposentado Paulo Sampaio dos Santos, de 45 anos, o espaço está muito perigoso. "Deveria ter mais segurança, câmeras de vigilância e mais patrulhamento. Isso ajudaria a manter a praça livre do perigo", aponta. Ele conta que tem conhecidos que já foram assaltados no local.
Moradora das imediações, Valéria Souza, de 49 anos, diz que tanto a Praça Tomi Nakagawa quanto a dos Viajantes, ao lado do Terminal Rodoviário, são dominadas por usuários de drogas e assaltantes. "Ficam no meu caminho diário", relata.
Para a comerciária Thaís Tomaz, de 18 anos, passar pela Tomi Nakagawa é arriscado. "Deveria haver um incentivo maior para tirá-los das ruas. De noite eu não ando aqui."
Um morador de rua de rua ouvido pela reportagem conta que tem 27 anos e que ficou nessa situação depois da morte da mãe. Nascido em Jataizinho, ele diz que os irmãos não deram apoio para que ele fizesse tratamento para combater o vício das drogas e do álcool. "Eles têm dinheiro, mas são orgulhosos. Se alguém der uma oportunidade de trabalho largo as drogas e a bebida", garante o homem, que já trabalhou como servente de pedreiro e em um frigorífico. "Eu recebia bem no frigorífico. Fiquei um ano e oito meses nesse trabalho, mas não usei a cabeça e saí. Mas é o que gosto de fazer", afirma. Hoje atua como flanelinha e arrecada de R$ 40 a R$ 60 por dia.
De acordo com a gerente do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP), Sandra Coelho, o atendimento aumentou de uma média de 40 para 60 pessoas por dia nesta época do ano. "Esse atendimento na sede é preventivo. São pessoas que estão nessa situação de forma circunstancial, sabem da existência do serviço e procuram o local em busca de ajuda. Isso permite que essas pessoas não morem na rua", explica. Hoje há 300 pessoas em situação de rua em Londrina, das quais 189 estão no acolhimento e o restante, em vagas rotativas. Entre as características dessa população, ela aponta que a maioria tem baixa escolaridade e é oriunda de uma situação de pobreza, com quebra de vínculos familiares.
E realidade das pessoas em situação de rua é crítica em relação ao uso de álcool e outras drogas, aponta ela. "Quando há uso de substância psicoativa, a equipe do Consultório na Rua, da Secretaria de Saúde, é acionada", explica. As abordagens são feitas pelas equipes do programa Sinal Verde e do Consultório na Rua.
Segundo a assessoria de comunicação da Polícia Militar, a instituição só age nesses espaços quando é constatado algum ato ilícito. A assessoria da PM ressalta também que o patrulhamento das praças está a cargo da Guarda Municipal. O coronel Rubens Guimarães, secretário de Defesa Social, garante que a Guarda Municipal faz patrulhamentos constantes na região da Praça Tomi Nakagawa. Ele orienta que as vítimas de assaltos devem procurar a delegacia para registrar a ocorrência. "Aí vira uma questão de prender quem comete esses atos. Se as pessoas não se dispuserem a registrar a ocorrência, não há como a polícia agir, mas se ela registra, vira crime", destaca.


