O magistrado José Laurindo de Souza Neto, juiz substituto da 12 Câmara Cível do Tribunal de Justiça (TJ) diz que a criminalidade policial às estruturas governamentais. Souza Neto considera que um Estado desacreditado, destreinado e desaparelhado é parceiro da criminalidade. ''O Estado está se acabando. O crime organizado está crescendo. Não existe uma banda podre hoje na Polícia Civil ou na Polícia Militar. O crime organizado está enraizado no Estado por conta da deteriorização da estrutura governamental'', analisa.
Laurindo acredita que a população está sujeita cada vez mais à criminalidade. Os policiais seriam alvo fácil por estarem perto dos criminosos, pela certeza da impunidade e por não serem alvo de fiscalização. ''A situação econômica contribui como um facilitador da impunidade. O que você faria se ninguém estivesse te olhando? O policial pode pensar no ganho, na obtenção do lucro fácil. Por ter certeza da impunidade, ele se arrisca. É por isso que o policial precisa ser extremamente treinado. Ele convive com o crime e corre o risco de se acostumar com o crime. Com o tempo, se não houver acompanhamento, ele pode pensar que o crime é algo normal. Isso é comum em quem não tem uma preparação psicológica'', pondera.
O juiz afirma que os servidores do Estado, em geral, são destreinados e trabalham com equipamentos precários. Foi pensando em mudanças que ele tentou trabalhar no Paraná, dentro da Operação Mãos Limpas, com a Teoria da Finalidade da Pena. A intenção era melhorar a condenação, evitando que a pena interferisse na qualidade do cidadão após o cumprimento da determinação judicial. Para os criminosos policiais, o ideal, segundo ele, seria a promoção de mudanças na forma de aplicação das penalidades.
''O que temos no Paraná é o depósito de gente dentro de cadeias. Estamos criando feras dentro das jaulas. Existe interesse para que isso continue. Temos que desenvolver processos alternativos para não ficarmos reféns de um terrorismo criminal'', diz Laurindo. Os sistemas não prisionais, conforme Laurindo, que trabalhou por 12 anos nos juizados especiais criminais, podem ter resultado compensador, com um índice de reincidência inferior a 2%.(L.P.)

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