Criminalidade bate à porta das escolas
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A velha imagem da escola sem muros faz parte apenas dos antigos álbuns de família. A população aumentou, as cidades cresceram e os problemas sociais bateram à porta das instituições de ensino. A criminalidade ajudou a assentar os tijolos e os muros foram sendo erguidos, numa tentativa de transformar as escolas em ilhas de segurança. Hoje, entretanto, estão perdendo a inocência e percebendo que é preciso mais do que paredes altas para manter os alunos seguros.
Na última semana, essa realidade veio à tona com a prisão de um traficante nas proximidades do Colégio Estadual Benjamin Constant, no centro de Londrina, que tentava vender cerca de 300 gramas de maconha para um motociclista. O diretor, Dirceu Vivan, aponta que o homem não traficava naquele local nem foi visto em outras ocasiões circulando próximo à escola.
O filho de apenas 12 anos da técnica em instrumentação cirúrgica, Maria Inês Tonelli Saraiva, sentiu os efeitos, esta semana, do grave problema da criminalidade que cerca as escolas. Quando estava indo para o colégio, pouco depois das sete horas da manhã, foi cercado por um garoto menor que ele próximo à avenida Higienópolis (centro de Londrina). O menino estava armado com um caco de garrafa. Por sorte, o filho de Maria Inês foi ajudado por um frentista de um posto de gasolina.
''Sei que é uma questão social, mas vários colegas dele também já foram perseguidos, assaltados e até ameaçados'', salienta Maria Inês. ''A patrulha escolar (que foi extinta há alguns anos) faz falta nestas horas'', lembra a mãe.
Dirceu Vivan, diretor do Benjamin Constant, lembra que a escola está tendo que se adaptar a essa realidade. Quanto às drogas, que preocupa pais e professores, ele admite que tem alunos usuários mas diz que não sofre mais com o tráfico porque decidiu agir. Os alunos passaram a frequentar palestras educativas sobre os perigos do vício, sobre sexualidade, sobre a importância de valores como família e amor ao próximo. Estagiárias de psicologia assistem os estudantes mais problemáticos. ''Os alunos que tentavam passar (drogas) saíram do colégio porque perceberam que não tinham mais espaço. Eles medem força com a escola e se a gente ceder eles tomam conta.''
Vivan avalia que tem muito ainda a ser feito. ''É preciso aproximar mais da família, trazer os pais para dentro, porque muitos acabam entrando na escola apenas no dia da matrícula do filho'', afirma o diretor.
A Polícia Militar diz que o trabalho da patrulha escolar hoje é feito pelas viaturas comuns. O efetivo é organizado de maneira a permanecer prioritariamente nas proximidades das escolas, nos horários de entrada e saída dos alunos.


