A família do contador Antônio Carlos Duarte, morador do Jardim Planalto Verde em Cambé, amanheceu assustada ontem. Durante a madrugada, o veículo Gol, ano 1994, da cunhada de Duarte, foi furtado de dentro da residência, depois que o bandido, ousado, abriu o cadeado do portão com a ajuda de um arame. ''Graças a Deus não tentaram entrar na casa, mas é um prejuízo que fica, né? O carro não tinha seguro e agora vai saber se vamos conseguir encontrá-lo'', lamentou.
Casos como esses, que acontecem sem que haja testemunhas ou pistas, têm chamado a atenção dos moradores de Cambé, que confessam estar com medo dos crimes ocorridos na cidade. Os comerciantes, que investem cada vez mais na segurança dos estabelecimentos, afirmam trabalhar ''24 horas com medo''. É o que disse o dono de uma joalheria, Roaldo Souza Lula, localizada no centro da cidade.''Em 20 anos fui assaltado quatro vezes. A última vez foi há um ano mais ou menos. A gente escuta falar, todo o dia, de lojas que foram assaltadas. Eu sinto que de um ano para cá as coisas tem piorado e é normal para a gente trabalhar com medo'', comentou.
As histórias revelam que a criminalidade não escolhe classe social ou região específica. Apesar disso, os moradores do Jardim Novo Bandeirantes, um dos bairros mais violentos de Cambé, tem ''sentido na pele'' o medo dos criminosos. A dona-de-casa Mercedes Campos, que mora no bairro desde 1975, comentou que é comum escutar disparos de arma de fogo na região. ''Eu fico triste porque gosto muito de morar aqui e não penso em sair por isso, mas a gente fica assim, bastante assustada. Quase toda noite escutamos tiros, mas vamos fazer o que?'', questiona.
A vizinha de Mercedes, Iracema Magalhães, lembrou que em novembro uma sobrinha passou por um susto muito grande quando ia para a escola num ônibus coletivo. ''Teve um tiroteiro e uma menina que estava do lado dela foi atingida no braço. Ela chegou a ter que abaixar a cabeça para não se machucar. Foi por Deus mesmo que ela não se feriu. A gente vive presa dentro de casa, com medo de acontecer alguma coisa porque aqui no bairro está sendo normal alguém morrer'', comentou.
Os comerciantes do bairro também estão assustados. A proprietária de um bazar localizado na Rua Francisco Cândido Xavier, Edina Antônio, mora no bairro há 36 anos e gerencia o comércio há sete. Ela conta que nunca passou por um assalto, mas anda preocupada. ''Tenho muito medo. De uns seis meses para cá está horrível, principalmente nos finais de semana. A gente fica em casa enquanto os bandidos ficam na rua, se divertindo''.
O secretário executivo do Conselho de Segurança de Cambé, Antônio de Alencar, destacou que até mesmo a Igreja Matriz precisou tomar providências para evitar o roubo de veículos enquanto os moradores participam das missas. ''O pároco contratou um segurança só para cuidar dos carros. Todas as casas estão instalando cercas elétricas e percebemos que as pessoas andam muito assustadas'', comentou.

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