Criminalidade: ano novo, velho problema
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quinta-feira, 03 de janeiro de 2002
Luciano Augusto 
Passadas as comemorações do final de ano, ontem foi dia de retomada das discussões sobre o aumento da violência em Londrina. Uma reunião foi convocada às pressas pelo presidente da Casa, vereador Tercílio Turini (PSDB), para debater, mais uma vez, a escalada da criminalidade no município. Em 2001, Londrina bateu recorde de homicídios: 116 nos 12 meses do ano.
Sem soluções efetivas, representantes do poder público, empresarial e líderes comunitários, chegaram a uma conclusão: o aumento da violência está intimamente ligado ao tráfico de drogas que, segundo Turini, está fora de controle.
Dentre as prováveis medidas, está a criação de um fórum permanente de segurança, o mapeamento dos locais de venda de entorpecentes, a possibilidade de transferência de recursos para a segurança e a intensificação do trabalho conjunto entre as Polícias Civil e Militar, Poder Público, Promotoria e sociedade. A polícia não tem se omitido, só que esse (o tráfico) é apenas mais um dos trabalhos que ela tem que desenvolver. É preciso haver ações específicas sobre o tráfico de drogas, frisou o vereador.
O procurador jurídico do município, Carlos Scalassara, que representou o prefeito Nedson Micheleti (PT) em viagem familiar até a semana que vem , argumentou que a violência só será combatida a partir do momento em que se atacar todas as outras violências, como o desemprego e a desigualdade social. Mesmo assim, ele pregou a aplicação de idéias que deram certo em outras cidades, como a iniciativa de tolerância zero implantada em Nova York e que mudou o perfil da cidade americana.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Rubens Guimarães, assegurou que tem dado assistência setorizada na cidade buscando o apoio da população. A polícia tem recebido toda a responsabilidade, mas isso é uma engrenagem onde alguns dentes não estão funcionando como deveriam, afirmou, exemplificando que a PM poderia ter maior facilidade em conseguir mandados de busca e apreensão. O comandante revelou ainda que praticamente 60% das ocorrências policiais envolvem menores de idade.
O delegado-chefe da Polícia Federal, João Luiz do Prado, afirmou que o tráfico em Londrina é essencialmente doméstico, muito mais difícil de ser combatido. Os traficantes andam com pequenas quantidades de drogas e quando são pegos, alegam que são usuários e se livram dos flagrantes. O delegado antecipou que, mesmo assim, muitas pessoas estão sendo investigadas em Londrina e nos outros 65 municípios da sua responsabilidade.


