Crimes perto de escolas crescem 30%
Guilherme Pupo e
Eliane Eme Sato

Albari Rosa
As soldadas Marinez Zampier e Karine do Carmo, da Patrulha Escolar, visitam cerca de dez escolas por diaO número de ocorrências policiais nas vizinhanças de escolas públicas de Curitiba cresceu cerca de 30% nos últimos meses, segundo levantamento realizado pela Patrulha Escolar (que faz a ronda na entrada e saída de alunos). Atualmente, a média de casos violentos registrados pela polícia em locais próximos a escolas chega a 170 por mês.
De acordo com a tenente Claudete Tonioti, comandante da Patrulha Escolar, as ocorrências mais comuns nas escolas são conduta inconveniente e brigas de gangues. Outros casos frequentemente atendidos são uso e tráfico de drogas, estupros e ameaças de bomba (quatro por mês).
A Patrulha é formada por 50 policiais femininas, que utilizam 15 viaturas para fazer 1.800 visitas por mês às escolas. A comandante reconhece o número insuficiente da equipe e informou que o Comando do Policiamento da Capital já está providenciando o deslocamento de mais policiais para o trabalho. ‘‘Com o efetivo atual, é difícil estar em todo lugar todo o tempo’’, diz a tenente.
Segundo ela, cerca de 70% dos atendimentos são relacionados a problemas da comunidade (em regiões próximas às escolas), e somente 30% envolvem alunos. Os locais mais atendidos são o Centro e os bairros São Braz, Rebouças, Alto da Glória e Santa Felicidade.
Segurança -Para o diretor da Escola Estadual Angelo Volpato (no São Braz), José Alves Damasceno, a Patrulha Escolar melhora a segurança e evita brigas de alunos em saída de aula. O colégio, segundo ele, não é alvo de traficantes nem de marginais, mas desde que as patrulheiras começaram a fazer a ronda, no ano passado, a comunidade tem maior tranquilidade, diz. A escola recebe a visita da Patrulha duas vezes por dia.
O diretor conta que em apenas duas ocasiões as patrulheiras foram acionadas pelo colégio fora do horário de ronda - quando um aluno roubou a carteira da diretora e quando um grupo de estudantes ofendeu uma mulher, que deu queixa à diretoria. ‘‘A presença das patrulheiras faz os alunos se comportarem melhor’’, afirma Damasceno. ‘‘Tenho medo da polícia, mas gosto porque elas ajudam a gente’’, diz Jocasta Firmino, 7 anos, aluna da 2º série.
As soldadas Marinez Rodrigues Zampier e Karine Magda do Carmo, ambas de 23 anos, passam em média em dez escolas por dia, percorrendo cerca de cem quilômetros. Elas são do Batalhão de Policiamento do Trânsito (BPTran) e costumam fazer ronda na Escola Angelo Volpato. Ali, afirmam, nem mesmo as brigas entre alunos são comuns.
As patrulheiras contam que às vezes são acionadas para atender casos inusitados, como o de um aluno que bateu na professora. O menino, que vivia na rua, foi levado para casa, mas foi rejeitado pela mãe e acabou entregue à Fundação de Ação Social (FAS). As soldadas atendem ainda ameaças de bomba, mas todas até agora eram trotes aplicados por alunos.

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