Especial para a Folha

Albari RosaIlma: manifestação é a única forma de chamar a atenção das autoridades para a violênciaOs altos índices de criminalidade nos municípios da Região Metropolitana de Curitiba levaram os moradores da Vila União, em Almirante Tamandaré, a promover um protesto na manhã de ontem. Cerca de 30 pessoas, entre elas o deputado estadual Florisvaldo Fier, o Doutor Rosinha (PT), se reuniram para expor os problemas de segurança enfrentados pelo bairro, considerado o mais violento da cidade.
Para a presidente da Associação de Moradores da Vila União, a empregada doméstica Ilma de Lourdes Santos, esta foi a única saída encontrada pelos moradores para chamar a atenção das autoridades para a violência que tomou conta do local nos últimos meses.
O caso mais recente, e também o que mais chocou a população, foi o do menino Antonio Carlos Bonifácio, de 13 anos, baleado nas costas pelos seguranças de uma chácara na Vila União quando brincava com colegas em uma cachoeira. Segundo a mãe do garoto, a camareira Chirley Bonifácio, os seguranças não tinham motivo para atirar, já que que o grupo era formado apenas por crianças. ‘‘Um senhor tinha acabado de falar com os garotos e disse que eles podiam brincar, desde que não fizessem baderna ou ateassem fogo na vegetação. Assim que virou as costas, Antonio sentiu uma dor e caiu’’, afirma Chirley. O menino já foi submetido a duas cirurgias para retirar a bala, que ficou alojada na coluna vertebral, mas não consegue mais sentir as pernas.
Albari RosaChirley, com a foto do filho baleado: seguranças da chácara não tinham por que atirar em crianças
Segundo Cândido Martins de Oliveira, secretário estadual de Segurança Pública, algumas medidas já foram tomadas para conter o avanço da criminalidade em Curitiba e na Região Metropolitana. A Operação Natal, que começou dia 19 de novembro e estende-se até o fim do ano, vai ampliar o policiamento no Centro e nos bairros de Curitiba, envolvendo as Polícias Militar e Civil, com apoio da Guarda Municipal e da Polícia Rodoviária. ‘‘Atualmente não temos como falar em diminuir a violência, mas sim em tentar conter o seu crescimento’’, diz o secretário.

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