Crimes diminuem em praça central
O número de pequenas infrações baixou na Praça Raposo Tavares, a mais antiga e a mais central de Maringá, depois que a rodoviária da cidade começou a funcionar em outro local. A praça fica na frente da velha rodoviária, que continua servindo à população apenas com os ônibus urbanos e metropolitanos.
Segundo soldados da Polícia Militar, a mudança foi benéfica porque os punguistas hoje têm menos alvos para atacar, já que às 23h30 os ônibus deixam de circular e os bares fecham. Ficam por ali, nas imediações da praça e do prédio da rodoviária, que até o final do ano será reformado para abrigar um shopping ou uma rua 24 horas, apenas as prostitutas, em número de 50.
Elas são sempre as mesmas, algumas com várias passagens pela polícia por agressões e roubos de carteiras. Outras, mais tímidas, escondem-se nas sombras das árvores. O programa, sempre nos hotéis que circundam a velha rodoviária, custa entre R$ 5,00 e R$ 15,00.
Marcos NegriniJosé Gonçalves de Araújo Neto, 68 anos: local de negóciosSueli de Fátima, 22 anos, diz que está desempregada e que vem à praça para se divertir. Gosto daqui, é saudável. Depois da mudança da rodoviária, o ambiente melhorou, tem menos bagunça, menos mulher sendo roubada. Se Deus quiser, vou arrumar um emprego, afirma na maior cara-de-pau.
As centenas de pombos continuam sendo alimentados pelos cerca de 50 aposentados que ocupam os bancos da praça diariamente. São eles, os mais idosos, que movimentam o lugar. Alguns vêm apenas para conversar com seus colegas sobre os bons tempos, a seleção, os bons prefeitos que a cidade já teve, os parentes falecidos.
O ensacador Valdemar Pereira dos Santos, 53 anos, nunca se casou, não tem filhos e há dois anos teve um acidente de trabalho: machucou seriamente o joelho. Fez fisioterapia, mas não adiantou. Sou aposentado, mas não sou vagabundo, comecei a trabalhar aos cinco anos de idade. Hoje cuido da minha mãe, que está doente. Vivo com ela na nossa casinha. É de lá para a praça, daqui para minha casa, diz o aposentado.
Para ele, a Praça Raposo Tavares não vai mudar nunca, mesmo com a mudança da rodoviária. Praça e rodoviária, velha ou nova, são coisas distintas. Aqui é lugar de todos, de Deus, dos meus e dos nossos sonhos. Aqui é lugar de sonhar, explica Valdemar.
Enquanto Valdemar sonha, o aposentado José Gonçalves de Araújo Neto, 68 anos, reclama. Sou lavrador aposentado há quatro anos, venho aqui todos os dias vender ou trocar relógios junto com meus colegas. Sempre dá um troquinho a mais. Mas agora, com a mudança da rodoviária, os fregueses foram embora. De todo jeito, ainda bem que as mulheres (as prostitutas) ficaram. Nenhuma foi embora. Isso é que é bom. Dá um caminhão cheinho delas.
O taxista José Neri, de 79 anos, também está no comércio de relógios, quase sempre usados. Venho aqui nesta praça desde quando isto era um matagal. É o melhor lugar de Maringá. Com ou sem freguês para os relógios, tamos aí, afirma José. Seu colega aposentado Eduardo de Oliveira Filho frequenta a praça há mais de 20 anos. É encanador e faz ponto na praça. Aqui é bom demais. Cabe todo mundo, diz ele.Marcos NegriniValdemar Pereira dos Santos, 53 anos: lugar de sonharMarccio W. Varella





