Os crimes cibernéticos, cometidos através da rede mundial de computadores, internet, vêm aumentando de forma tão assustadora no Brasil que a Polícia Federal se viu obrigada a criar um serviço especializado no combate a esse tipo de delito. O chefe do serviço e perito criminal, Paulo Quintiliano da Silva, esteve ontem, em Londrina, participando do XVII Congresso Nacional de Criminalística. Ele ressaltou, durante palestra, a necessidade de todos peritos estarem preparados para investigar esses crimes.
Quintiliano esclareceu que o serviço é destinado a identificar e autuar os crackers, pessoas que se dedicam a invadir homepages para roubar dados ou apenas pichar os sites. Segundo ele, uma das maiores dificuldades nesse tipo de investigação é que muitos crackers se escondem em provedores de serviços internacionais. Ele acrescentou que, nesses casos, a quebra do sigilo telemático do infrator só é possível através da carta rogatória, um mecanismo jurídico e burocrático utilizado para convencer as autoridades policiais do país de origem do provedor a autorizarem a investigação.
Mesmo no caso das autoridades internacionais autorizarem a quebra do sigilo, outro empecilho é o tempo de armazenagem dos dados no provedor. O perito afirmou que, em geral, os provedores preservam as informações por um prazo máximo de 90 dias, tempo muitas vezes insuficiente para identificação do cracker.
No Brasil, a história de invasões ou delitos cometidos por crackers é algo recente. Os primeiros foram registrados há cerca de 10 anos. Para Quintiliano, os delitos estão diretamente relacionados à popularização da internet. ''Várias operações financeiras passaram a ser feitas pela internet. Isso chamou a atenção dos criminosos que tiveram a vida facilitada pelo anonimato'', completou.
E são exatamente os golpes contra clientes de bancos, um dos que mais crescem no país. Em uma das várias formas de fraudar o sistema, o cracker invade os sites das instituições financeiras. Ele espera um descuido do administrador do site, que acontece por causa do não monitoramento dos e-mails que chegam ao provedor da empresa. Dentro do sistema, ele tem acesso às senhas e números de documentos, onde movimenta livremente esses dados.
Dentre os crimes que vêm sendo investigados pela Polícia Federal, os golpes contra instituições financeiras não lideram o ranking. Quintiliano frisou que 60% dos delitos investigados, cerca de 120, estão relacionados à pedofilia. São sites que mostram fotos pornográficas de crianças e adolescentes. Ele acrescentou que a própria Organização dos Estados Americanos (OEA) possui um grupo específico para investigar esse tipo de crime cibernético.
O perito criminal lembrou que o Brasil não possui uma legislação específica para crimes cometidos através da internet. Mas, segundo ele, isso não impede que os crackers sejam punidos. Ele explicou que uma pessoa que obtém ilicitamente os dados de outro e se aproveita disso pode ser enquadrado como estelionatário. Quintiliano se posiciona contra a criação de delegacias especilizadas em investigar delitos cibernéticos. ''Toda Polícia Federal deve ser especializada nesse crime'', comentou. Ele concluiu que no Paraná existe somente um perito especializado em informática.

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