Crimes chocantes, mas de fácil solução
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Diego Ribeiro<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - A incidência é mínima, mas a repercussão é máxima. Crimes passionais, normalmente, são divulgados de forma avassaladora. Matar sob influência da emoção e com ''justificativas'' sentimentais ganham o topo dos noticiários quando ocorrem, como o assassinato do prefeito de Barbosa Ferraz (Noroeste), Mário César Lopes de Carvalho, no fim do mês passado. Segundo a polícia, ele foi assassinado pelo namorado ciumento de uma funcionária da prefeitura. Outro caso recente é o do dentista Edson Simões Castilho, que fugiu na madrugada de ontem da Delegacia de Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro). Ele estava preso por matar a ex-mulher e a babá do filho (leia mais nesta página).
Segundo o titular da Delegacia de Homicídios de Curitiba, Hamilton da Paz, acontecem, na capital, entre 45 e 55 homicídios por mês e cerca de 95% deles têm envolvimentos com o tráfico de drogas. O restante se divide entre outras motivações, inclusive passionais. Neste caso, trata-se de um tipo de assassinato considerado pela polícia como o mais fácil de se chegar ao autor.
''Sempre resta testemunha, um amigo que conhecia o problema do casal'', comentou o delegado. Entre as facilidades está a fuga. ''Como o culpado não é desses bandidos profissionais, não sabe fugir'', comentou.
Embora o crime ocasionado por fortes emoções seja rápido de resolver, não é fácil entender as explicações de quem o comete. Segundo a coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Evangélica, Roseli Hauer, essa violência, consequência de alguma emoção relacionada com a paixão, é fruto da falta de ''controle do impulso'', que também está associado ao histórico de vida. ''O modelo familiar é determinante''.
Outra explicação se refere à própria negação da realidade vivida pelo autor do crime passional. ''É resultado de um extremo ódio à realidade e suas limitações, vivido por quem se vê dominado pela busca da plenitude, da ausência de limites, do querer que a realidade seja a extensão do desejo pessoal em que não haja diferenças ou separações'', opinou o psicólogo clínico Cláudio Rotenberg.
O ponto em questão, para Rotenberg, não é a perda do controle, o que pode ocorrer em diversas circunstâncias sem violência. ''O problema reside quando a perda de controle é algo sentido como inaceitável, intolerável, e que é vivido como se fosse um ato de violência, o qual com violência é retribuído''.
Na opinião do psicólogo Marcelo de Oliveira, o estopim é uma somatória de problemas acarretados pela trajetória de cada um. ''Entre os diversos fatores, é possível considerar que a realidade psíquica é extravasada na realidade externa'', explicou. Ele acredita que, em casos de crimes passionais, um delírio de ciúmes seria um exemplo desse extravasamento.
Tratamento -
A reabilitação de alguém que comete um crime nem sempre passa apenas pela punição. No caso do crime passional, o tratamento psicológico pode ser necessário para o retorno do criminoso ao convívio na sociedade. ''É fundamental que ele (o autor) queira. O ambiente nunca vai mudar. Ele é quem tem que mudar'', salientou a psicóloga Roseli Hauer.
Embora o processo de reabilitação pareça simples, o começo pode ser o principal obstáculo. ''A primeira coisa é tomar consciência, compreender o mecanismo da doença. É muito difícil reverter isso na fase adulta'', comentou a especialista.
As considerações de Roseli divergem das ideias do psicólogo Claudio Rotenberg. Ele não vê cura, mas acredita que o criminoso passional pode, com ajuda, voltar a contribuir para a sociedade.


