A Polícia Militar (PM) de Londrina registrou aumento de 60% no número de ocorrências dentro da Universidade Estadual de Londrina (UEL) entre janeiro e outubro deste ano, em comparação com o mesmo período de 2003. A alta aconteceu mesmo após a implantação do sistema de videovigias no campus, em funcionamento há cerca de 60 dias. Alunos reclamam do clima de insegurança na região. A Prefeitura do Campus alega que o acréscimo deve-se aos novos procedimentos adotados pela administração, que passou a comunicar à polícia todas as ocorrências.
O relatório divulgado pela PM mostra que, entre janeiro e outubro de 2003, foram 10 registros de atendimento. Já nos primeiros 10 meses de 2004, o número de ocorrências subiu para 16. Se forem comparados apenas os oito primeiros meses de 2003 com os de 2004, o acréscimo chega a 60%.
A implantação do novo sistema de segurança custou R$ 340 mil aos cofres do Estado em conjunto com recursos da própria Universidade de Londrina. Além da instalação de 154 câmeras por todo o campus e de 134 alarmes, 150 dos 240 vigias receberam da PM treinamento da abordagem de suspeitos para inibir o tráfico de drogas.
Segundo o prefeito do campus, professor Laerte Matias, o projeto foi desenvolvido com capacidade para ampliação. Horários em que os campus seria mantido fechado também estariam sendo negociados com as empresas de transporte coletivo.
O novo projeto de segurança entrou em funcionamento em setembro do ano passado, após a reitora da UEL, Lygia Pupatto, ter declarado que o índice de ocorrências no campus havia atingido patamares ''impraticáveis''.
Todas as iniciativas, no entanto, não estariam transmitindo a segurança desejada pelos estudantes da instituição. Alunos do 4º ano de Economia, Pedro Silva, Fábio Costa e Marcela Pégolo relatam casos de assaltos, furtos e roubos praticados no campus. ''Há duas semanas houve um assalto a uma das cantinas. Quando saímos da aula, várias viaturas estavam aqui'', contou Silva. ''Também fiquei sabendo de toca-CDs roubados de carros, há cerca de um mês'', lembrou Costa. ''E o estacionamento é muito escuro à noite. Isso facilita a ação de marginais'', completou Marcela.
Parte das ocorrências relatadas pelos alunos foi confirmada por um auxiliar de serviços gerais do campus, que preferiu não ser identificado, temendo represálias. ''Realmente fiquei sabendo desse assalto próximo à cantina. E a segurança aqui à noite não é das melhores'', disse.
Apesar do clima de insegurança, o comandante da PM responsável pela região, tenente Sidinei Fernandes Garcia, avalia como ''baixo'' o volume de ocorrências no local. ''A universidade concentra um grande patrimônio, público e particular. Isso naturalmente atrairia muito mais bandidos do que o registrado'', afirmou o tenente da PM. ''A região pode ser considerada tranquila'', finalizou.

mockup