CRIME NA POLÍCIA O bandido na farda de policial
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de setembro de 2006
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Em apenas três anos, 744 policiais civis e militares foram presos por participação ou envolvimento em atos criminosos no Paraná. De acordo com o levantamento feito pela assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Segurança Pública, 81% dos presos eram policiais militares. São casos semelhantes aos dos policiais militares presos recentemente em Curitiba por furto de rádios e toca CDs de automóveis no Largo da Ordem (região central). De janeiro de 2003 a dezembro de 2005, foram aplicadas 4.391 punições contra policiais militares que estariam praticando atos ilícitos. Entretanto, apenas 108 foram punidos com exclusão dos quadros da Polícia Militar (PM).
Num período um pouco mais longo (janeiro de 2003 a julho de 2006), 143 policiais civis foram presos e 45 foram demitidos. Outros 51 estão em processo de demissão e 59 foram suspensos. As acusações mais frequentes contra os servidores da segurança pública são de concussão (extorsão cometida por empregado público no exercício da função), lesões corporais (inclusive tortura), estelionato, extravio de armas, peculato (desvio de recursos públicos para benefício próprio ou de outros), corrupção passiva (suborno), prevaricação (faltar com o dever policial), deserção (deixar o serviço militar sem licença) e inobservância da lei (cumprimento rigoroso das regras ou disciplinas contidas no Regimento da Polícia Militar ou no Estatuto da Polícia Civil).
A Auditoria da Polícia Militar analisa apenas os processos criminais contra policiais militares no exercício da função - casos como dos policiais militares fardados acusados de furto. Em 2003, foram instaurados 36 processos e 71 foram denunciados (em muitos processos, mais de um policial é acusado). Ao todo, tramitam na Auditoria 148 processos envolvendo PMs. ''A maior parte é crime patrimonial como corrupção passiva ou peculato. Os homicídios não fazem parte das nossas estatísticas porque são remetidos para a Justiça Comum'', revela o promotor Mizael Duarte Pimenta Neto, que acompanha a Auditoria Militar há oito anos. A pena geralmente é mínima e pode ser revertida em prestação de serviços à comunidade e distribuição de cestas básicas, além de multa.
Isabel Neves, mulher de sargento da Polícia Militar e uma das líderes do Movimento de Mulheres de PMs no governo Jaime Lerner (PSB), acredita que a corporação passou por mudanças positivas, com aumento salarial e valorização profissional. No entanto, ela também lamenta a postura do comando da PM no trato com os praças (de soldado a sargento). ''Falta apoio do comando. Isso faz com que alguns policiais tenham problemas disciplinares. Temos que analisar esses problemas com cuidado para evitar expulsão injusta, como já ocorreu em casos de alcoolismo. Agora, quando o caso é furto de toca-fitas, não deveria nem ter conselho. O policial deveria ser expulso mesmo''.


