Com quatro filhas com idade entre seis e 15 anos, a biomédica londrinense Maria Branca Bastos Martins está vivendo uma situação inusitada: como explicar para as meninas o que aconteceu com Isabella Nardoni? A todo momento elas questionam se o próprio pai teria coragem de matar uma criança tão indefesa.
A reação das filhas, diante das notícias veiculadas pela imprensa, tem revelado um comportamento diferente, de acordo com a idade das meninas. A mais nova, Bianca, seis anos, não tem muita noção dos fatos, mas serve de referência para as irmãs mais velhas, que comparam a inocência dela com a de Isabella. ‘‘É uma situação difícil. Por mais que você tente explicar, a notícia choca e deixa a gente sem reação’’, afirma a mãe.
Maria Branca explica que as gêmeas Jéssica e Natasha, de 11 anos, têm uma percepção bem infantil do caso. ‘‘Elas não acreditam que um pai, uma pessoa tão próxima da menina tenha a coragem de ter feito isso. Acham que foi acidente e criam várias versões para explicar o fato.’’ Uma das versões, segundo a mãe, seria a própria menina ter cortado a grade de proteção e caído acidentalmente. ‘‘Elas têm a visão do ‘pai herói’, da figura que protege e não da que agride’’.
Já a mais velha, Beatriz, 15 anos, que no começo também se recusou a acreditar no envolvimento do pai de Isabella, hoje começa a ter uma visão diferente do assunto, diante das evidências apresentadas pela polícia. Ela acredita que, se fosse um acidente, o pai teria socorrido a filha e se indigna com a frieza do caso. A mãe de Beatriz afirma que um dos comentários da filha chamou atenção, já que Isabella não teve chance de se defender: ‘‘Se ainda fosse alguém do meu tamanho’’.
 Para toda a família a situação é delicada. ‘‘A gente também tem essa sensação de desconforto. Tento explicar que as brigas e os desentendimentos acontecem nas famílias, mas não podem chegar neste nível.’’ Segundo Maria Branca, a conversa com as filhas é de que este caso foi pontual. ‘‘Digo que elas podem ter certeza do amor dos pais pelos filhos e que se essa história se confirmar, elas vão entender que nem todas as pessoas são iguais e que algum distúrbio emocional acabou provocando a tragédia.’’
Mais do que isso, a mãe ainda ressalta às filhas a responsabilidade de não julgar sem conhecimento dos fatos e, principalmente, a necessidade do exercício do perdão. ‘‘Elas podem sofrer pela menina, mas precisam acreditar que o ser humano tem recuperação. Acho que isso pode servir de consolo para os coraçõezinhos delas que têm sofrido muito com o fato’’, finaliza.

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