Ontem, os motoristas paralisaram por dez minutos o sistema de transportes da cidade em protesto pela morte da cobradora de ônibus Ana Conceição Melo da Silva, 54 anos. Das 16 horas às 16h10, eles atrasaram as viagens, em especial nos terminais do Pinheirinho, Boqueirão, Capão da Imbuia e Sítio Cercado. Nas demais regiões da cidade, a adesão foi mais tímida, segundo levantamento do Sindimoc. Além disso, foi organizada pelo sindicato uma carreata com 100 ônibus, que acompanhou o cortejo fúnebre, até o Cemitério Bom Jesus, em São José dos Pinhais.
A carreata interropeu o trânsito nos bairros do Boqueirão e Sítio Cercado, além da BR-277. De acordo com o presidente do sindicato, Denilson Pires, a intenção do movimento era sensibilizar a população contra o problema da violência.
Porém, a filha de Ana, Suely Melo da Silva, considera que, apesar da solidariedade e protesto de motoristas e cobradores, não haverá uma solução de curto prazo para a violência que atinge todos os dias os ônibus. Ela conta que sua mãe sempre rezava quando saía de casa, para que nada de mau acontecesse. ‘‘Ontem (na quarta-feira), ela tinha ido inclusive à igreja, onde foi velada’’, lembra. Ana limpou a igreja Nossa Senhora dos Vigiantes para a realização de culto ontem. Suely conta que sua mãe já havia sido assaltada outras três vezes. ‘‘O pai pedia que ela pedisse transferência de horário e linha, pegando uma mais segura’’, comenta. A cobradora trabalhava durante à noite.
O marido, Ivo Castorino da Silva, 63 anos, conta que com o crescimento da violência temia que algum dia Ana pudesse enfrentar uma situação mais complicada. ‘‘Apesar de ser uma pessoa que sabia lidar com conflitos, a gente sabia que um dia haveria alguém que não a entenderia’’.
Durante o velório e enterrro, Silva pedia que a polícia encontrasse os criminosos que mataram sua mulher. ‘‘Mas ainda que se alcance a Justiça, nada vai reconfortar a família’’, disse. Para ele, a morte da mulher não deverá mudar em nada as constantes tentativas de assaltos enfrentadas por cobradores e motoristas. Segundo ele, uma solução dependeria da vontade da Justiça em prender os criminosos.
Identificação - O marido da cobradora diz que a identificação dos assaltantes de ônibus pode ser feita com facilidade. ‘‘Os cobradores sabem inclusive o endereço ou o ponto onde acontecem os assaltos’’, afirma o presidente do Sindimoc, Denilson Pires.
O motorista Estanislau Leskiewicz, que estava no ônibus na hora do crime, conta que na linha do Trabalhador eram frequentes as presenças de ‘‘arruaceiros’’. ‘‘Um dia a gente sabia que ia enfrentar a morte, mas não esperava que isso poderia acontecer com ela’’. ‘‘Foi uma morte estúpida, feita por pessoas que não sabem sequer o sentido da vida’’, complementa a filha, Suely Silva.Kraw PenasTristezaSuely chora junto ao túmulo da mãe. Ela conta que a cobradora rezava todos os dias ao sair de casa, para que nada de mau acontecesseIsrael Reinstein

mockup