O vereador de Marialva (17 km a leste de Maringá) João Gonçalves de Medeiros (PFL), conhecido como João ‘‘Porquinho’’, foi arrolado no inquérito sobre o incêndio que destruiu o prédio onde funcionava o ‘‘Jornal de Marialva’’ e que provocou ferimentos graves no jornalista César Lima, 53 anos, proprietário do jornal, no dia 10 de dezembro de 97.
O juiz-substituto de Marialva, Ângelo Henrique Ribeiro, que pronunciou o vereador no processo, também determinou a prisão de Simião Domingues de Souza, acusado de contratar Adenílton José da Silva e Genival dos Santos para agredir Lima e atear fogo ao prédio, que ficou completamente destruído. Souza foi preso na madrugada de ontem em Sarandi. Sua prisão estava decretada desde o dia 19 deste mês, mas a polícia de Marialva não o encontrou na cidade.
O delegado José Aparecido Jacovós, de Sarandi, depois de cinco dias de investigação, acabou encontrando Souza na casa da namorada. Ele deverá ser recambiado hoje ainda para Marialva, onde aguardará julgamento pelo Tribunal de Júri ao lado de Silva e Santos, presos no início deste ano e réus confessos.
O juiz Ribeiro disse à Folha que determinou a inclusão do vereador Medeiros entre os réus porque uma das testemunhas chamadas para depor acabou dando indicações de que ele estaria envolvido no crime. No processo, o vereador foi acusado por Lima de ter contratado Souza para acabar com sua vida e tocar fogo no jornal, queimando documentos que incriminariam Medeiros.
No dia 3 de dezembro de 97, Silva e Santos entraram na redação do jornal e, armados, tentaram agredir Lima. O jornalista entrou em luta corporal com os agressores, que fugiram num Monza, dirigido por Souza. No dia 10, os dois voltaram e atearam fogo no prédio. Lima dormia nos fundos do prédio, nu, quando foi despertado pela fumaça e a alta temperatura. Correu para debaixo do chuveiro mas não escapou das queimaduras, que atingiram 17% de seu corpo, principalmente mãos, braços e pés.
Ele ficou internado no Hospital Santa Rita, em Maringá, durante 46 dias. Foram feitas diversas operações para implante de pele, mas ele acabou ficando sem as impressões digitais da mão direita, e ainda tem dificuldades para caminhar, além de sentir dores nos locais das queimaduras de 1º, 2º e 3º graus que sofreu.
Ontem, Lima disse à Folha que tudo começou quando seu jornal, que é quinzenal, fez denúncias de irregularidades que teriam sido cometidas pelo Instituto da Previdência de Marialva. Ele teria começado a sofrer pressões.
‘‘Aí eu denunciei que o vereador ‘‘Porquinho’’ teria ganho da prefeitura 14 mil lajotas para colocar num prédio de sua propriedade. Fotografamos os caminhões da prefeitura carregando as lajotas, mostramos cópias dos empenhos autorizando a retirada do material. Isso foi em outubro de 97. Mas as provas que tinha contra ele foram queimadas no incêndio’’, lembrou Lima.
Ele disse que depois que saiu do hospital deixou a barba crescer: ‘‘Só vou cortá-la quando os criminosos forem condenados’’. Ele está fazendo edições esporádicas do jornal. ‘‘Desafiei publicamente o vereador a provar que eu estava errado. Até registrei o desafio em cartório. Deu no que deu’’.

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