Marcos BorgesSegundo fatalA foto mostra a reconstituição do momento em que Maria Suely atira, por cima do ombro do PM, acertando um tiro na nuca de JacquelineA pedido dos advogados de defesa da dona-de-casa Maria Suely Costa Moura, 38 anos, foi feita ontem pela manhã a reconstituição da morte da secretária Jacqueline Carneiro Lobo, ocorrido no dia 22 de novembro do ano passado, em um escritório de advocacia no Edifício Mônaco, centro de Londrina. A secretária foi morta com um tiro na cabeça, desferido por Maria Suely. Os advogados Antonio Carlos de Andrade Vianna e Antonio José Mattos do Amaral, que tentam desqualificar o crime, querem provar que a ré atirou depois de ter sido provocada pela vítima.
Maria Suely não participou da reconstituição. A advogada Elaine Christina Gomes, que trabalha no escritório onde ocorreu o crime, preferiu fazer apenas um relato sobre o ocorrido. Os envolvidos não são obrigados a participar do ato. A simulação feita por policiais militares que atenderam a ocorrência, com a ajuda de secretárias, e fiscalizada pelo Ministério Público, foi registrada por peritos do Instituto de Criminalística. Eles devem encaminhar em uma semana parecer técnico à juíza substituta da 1ª Vara Criminal, Oneide Negrão de Freitas. O parecer vai indicar se, tecnicamente, há ou não possibilidade de os fatos apresentados durante a simulação terem acontecido. Conforme a defesa de Maria Suely Costa Moura, a reprodução simulada dos fatos ‘‘vai esclarecer melhor a forma como ocorreu o crime’’.
A defesa já submeteu a ré a exames de sanidade mental para tentar desqualificar o crime, denunciado pela Promotoria como hediondo. Os exames mostraram que a ré estava sob violenta emoção no momento em que atirou em Jacqueline Lobo. Fato que não alterou o andamento do processo nem modificou a denúncia. Agora, a defesa trabalha nova tese a ser apresentada em plenário: a de que a ré foi vítima de provocação.
Conforme afirmou Vianna, a ré estava sentada no sofá de uma das salas do escritório, apontando a arma para a própria cabeça, cercada por policiais. Antes de tentar sair do escritório, disse ele, a vítima teria passado três vezes em frente à porta da sala onde estava Maria Suely, momentos antes do crime. ‘‘Para Maria Suely, a menina estava desfilando pela porta para provocá-la, querendo ver se ela se matava ou se ia presa’’, disse Vianna.
O advogado de acusação, João dos Santos Gomes Filho, que também acompanhou a reconstituição, lembra que, no momento em que tentava deixar o escritório, Jacqueline Lobo estava ferida na cabeça, sangrando por causa das coronhados desferidas por Maria Suely. ‘‘Não vejo como poderia, desta forma, provocar alguém que estava com uma arma na mão.’’ O advogado destaca que, momentos antes, a ré já tinha atirado contra a vítima. ‘‘Só não matou porque a arma engasgou.’’
O episódio relatado pelo funcionário Nevanir de Freitas Serra Junior, que trabalha em um escritório em frente ao local onde ocorreu o crime, também está sendo questionado pela defesa. Vianna solicitou à Criminalística uma análise sobre a possibilidade de Serra Junior ter visto, do ponto em que se encontrava, o episódio. O auxiliar contou que estava no corredor, perto da porta, quando viu Maria Suely entrar no escritório, apontar o revólver contra Jacqueline e acionar três vezes o gatilho. ‘‘Não houve o disparo porque a arma engasgou’’, disse o auxiliar.

mockup