Crime contra brasileiros choca família
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terça-feira, 28 de maio de 2002
Benedito Teles Equipe da Folha 
Bandeirantes - A família Costa, em Bandeirantes (34 quilômetros a leste de Cornélio Procópio), quer informações sobre o motivo da demora na comunicação e sobre as circunstâncias da morte de Cleusineide da Costa, 27 anos, e dos filhos delas Aline Costa, cinco anos, Talita Costa, três anos e Nicolas Perret, cinco dias. Segundo a polícia francesa eles foram assassinados pelo marido Phillipe Perret, 42 anos, que após matar a família teria cometido suicídio. O crime ocorreu no dia 3 de janeiro no Vilarejo de Pisieu, região dos Alpes, no sul da França, mas a família de Cleusineide só foi avisada, quase cinco meses depois, na última sexta-feira.
Cleusineide da Costa e Perret se casaram em 2001 e o primeiro filho do casal havia nascido cinco dias antes do crime. Ela trabalhava em São Paulo antes de conhecer Perret e foi para a França com os dois filhos do primeiro relacionamento, em outubro de 2000.
A mãe de Cleusineide, Nair da Silva Costa, mora em Bandeirantes junto com outras duas filhas e não se conforma com a demora na comunicação da morte da filha e netos. Telefonaram na sexta e tinham informações sobre nossa família, então por que não avisaram antes?, questiona. Ela também não acredita que o marido de Cleusineide foi o autor dos homicídios. Segundo Nair, Perret foi apresentado à família e, aparentemente, era carinhoso e dedicado.
O último contato de Cleusineide com a família foi em 19 de dezembro de 2001. Segundo os familiares, ela estava bem.
A advogada Ciliane Carla Sella de Almeida disse que a família vai solicitar ao Ministério das Relações Exteriores e a Embaixada do Brasil na França, além da remessa das cinzas dos brasileiros, o encaminhamento do dossiê sobre o caso e um levantamento da situação patrimonial do casal. Ciliane explica que a família ainda vai avaliar quais medidas judiciais serão tomadas.
A advogada também disse que o objetivo da família é resgatar alguns objetos e fotos para que a imagem de Cleusineide e dos filhos seja preservada. O levantamento patrimonial é para tentar obter recursos financeiros para facilitar o translado das cinzas das vítimas, que tem custo avaliado em US$ 3 mil. A família, depois de meses de angústia, tem o direito de reaver os pertencentes de Cleusineide e obter respostas sobre o crime, diz a advogada.


