Crime cometido há 20 anos será julgado hoje
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quinta-feira, 24 de agosto de 2000
Sid Sauer De Campo Mourão 
O pedreiro Ishmael Gironde, 43 anos, vai ser julgado hoje, a partir das 9h30, no fórum de Campo Mourão, por um homicídio que teria cometido há 20 anos. Ele é acusado de ter matado, no dia 5 de maio de 1980, o agricultor Alípio Nespolo, que na época tinha 33 anos. O crime aconteceu na zona rural de Campo Mourão. Gironde chegou a se apresentar à polícia poucos dias depois, mas acabou fugindo e só foi preso no final de junho deste ano graças a investigações feitas por familiares da vítima.
De acordo com informações dos autos, Alípio e Gironde eram vizinhos de propriedades rurais e vinham tendo desavenças em virtude de uma erosão que estava passando de uma propriedade para outra. No dia do crime, Alípio teria visto Gironde passando a grade do trator num pedaço de terra seu. Os dois discutiram. Alípio levou um tiro de revólver, golpes de faca e ainda teve o corpo esmagado pela grade do trator.
Quando se apresentou à polícia, Gironde alegou legítima defesa, mas desapareceu algum tempo depois. Em junho, Gironde foi localizado em Campo Grande (MS) por um irmão de Alípio, o bancário Pedro Nespolo, 43. Pedro conseguiu um mandado de prisão itinerante e foi até Campo Grande, onde descobriu a residência de Gironde e chamou a polícia. Ele foi preso sem reação. Agora, a família de Alípio teme que Gironde saia absolvido devido ao esfriamento do caso pelo tempo.
A preocupação é que, mesmo condenado, ele não precise cumprir pena de prisão, disse ontem uma sobrinha de Alípio, Vanir Tamulis Uliana. Foi um crime bárbaro e não um tiro num momento de raiva. A mãe de Vanir, Maria Nespolo, que é irmã de Alípio, estava internada ontem. Ela estava muito nervosa e passou mal, disse a filha.
Quando foi morto, Alípio era casado e tinha cinco filhos o mais velho tinha 9 anos. Com medo, a família dele deixou a propriedade pouco depois do crime. Hoje, eles moram em Maringá. Gironde está casado há 15 anos e tem duas filhas. A mulher dele não sabia da acusação contra o marido.
O promotor Inácio de Carvalho Neto, que vai atuar no júri, adiantou ontem à Folha que vai pedir a condenação de Gironde com pena superior a 12 anos. Carvalho Neto acha difícil que Gironde saia livre, mas admite que, se ele for condenado a menos de 12 anos de prisão, o crime estará prescrito. Nesse caso, vou recorrer.


