Crime ambiental no Rio Tibagi continua impune
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terça-feira, 10 de abril de 2001
Lúcio Flávio Moura De Londrina 
Falhas no mecanismo de controle na qualidade da água da Bacia do Tibagi impediu que o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) chegasse aos responsáveis pela poluição que escureceu as águas do Rio Tibagi na região de Londrina, durante a última semana de março. Neste período, pescadores disseram à Folha que houve mortandade de peixes na mancha.
A combinação de fortes chuvas no período e a demora na inspeção do leito após a constatação do problema resultaram em uma investigação incompleta. Os escritórios regionais do IAP em Londrina e Curitiba consideram o caso encerrado. Segundo Andrew Pinheiro Neto, chefe do escritório do IAP em Londrina, a poluição teve origem no Rio Iapó, em Castro. A informação foi prestada pela Sanepar, que monitora as águas da bacia.
As amostras da água foram colhidas no distrito de Lerroville, em Londrina, no dia 22, e próximo a ponte que liga os municípios de Ibiporã e Jataizinho, no dia 25. Foram constatadas alterações no nível de sedimentos, no volume de material químico (34 miligramas por litro, quando o normal é entre 3 e 4 miligramas) e na coloração da água (270 unidades de platina e cobalto por litro contra o normal de 50 a 60).
Quatro dias depois da coleta no Alto Tibagi, uma equipe do escritório do IAP de Ponta Grossa vasculhou de barco 130 quilômetros do Baixo Tibagi e em dois afluentes, o Iapó e o Piraí-Mirim. Segundo o chefe regional Cyrus Augustus Moro Daldin, foram visitadas indústrias próximas a esses rios, mas nada foi constatado nas amostras. A expedição foi filmada. Um parecer da Sanepar atestou a normalidade da composição da água no período. Sem conseguir chegar ao ponto da descarga e com o desaparecimento dos vestígios da contaminação, o IAP não pôde autuar ninguém.
Para Marcelo Mafra, secretário executivo do Consórcio Intermunicipal de Proteção Ambiental da Bacia do Rio Tibagi (Copati), o episódio evidencia a precariedade do monitoramento das águas da bacia. O Copati aposta no sistema de monitoramento da bacia que está sendo projetado por técnicos do governo italiano em parceria com o próprio consórcio e o governo do Estado. Até o próximo ano, devem ser instaladas 30 estações telemétricas, que transmitem via satélite em tempo real várias informações sobre a qualidade da água.


