Todos os dias, três caminhões da prefeitura de Ivaiporã (110 km ao sul de Apucarana) despejam 21 toneladas de materiais descartados por empresas e residências locais no lixão municipal - localizado às margens do rio Pindaúva. O acúmulo de produtos considerados inúteis pela população, ao longo dos últimos 20 anos, se transformou em enormes montanhas de lixo que, sem resistir à lei da gravidade, 'escorregam' em direção ao leito do rio. O Pindaúva fica na bacia do rio Ivaí, tem 12 km de extensão e serve como principal manancial de abastecimento de água para a população de Ivaiporã.
Além do chorume - líquido negro produzido pela decomposição da matéria orgânica - que percorre valas esculpidas na terra até atingir o rio, o lixo sólido depositado na área de mata ciliar também chega ao Pindaúva em forma de latas, garrafas, sacos plásticos e outros objetos.
Os prejuízos são inevitáveis para a qualidade da água, a reprodução dos peixes, e o dia a dia de dezenas de propriedades rurais que ficam próximas do lixão - entre criadores de bicho-da-seda, gado leiteiro e fruticultores. Com a ausência de mata ciliar em diversos pontos, também é possível ver bovinos bebendo a escura água do Pindaúva. Durante visita ao local, a Folha ainda constatou que uma empresa particular de limpeza de fossas despeja os resíduos in natura no lixão.
O abandono das mínimas condições ambientais revolta o professor de geografia, Adriano Marcos Diglio - que denunciou o caso ao Ministério Público (MP) no início do ano. ''Até bateria de telefone celular já vi lá. O lixão é a céu aberto e o fundo é o próprio rio. Quando chove então, o volume que desce é ainda maior'', afirma ele. ''As autoridades da cidade têm conhecimento do que está acontecendo mas até agora não houve solução''.
Outra agressão ao rio Pindaúva, segundo o professor, ocorre no local de captação de água pela Sanepar - acima do lixão. O muro que divide a propriedade da empresa e o rio desabou há meses e não passou por reparo. A coluna de concreto e ferragem foi abandonada e ocupa quase metade do leito do ri, atuando como barreira à passagem da água e peixes.
''Isso aí caiu faz tempo, eles não investem nem aonde fazem a captação da água'', criticou Adriano Diglio. ''O rio está sendo assoreado pela própria Sanepar.''
O professor, que faz curso de especialização em Gerenciamento de Resíduos Sólidos, disse que as providências para recuperar o rio Pindaúva são urgentes. ''No meu trabalho de conclusão (monografia), estou tratando das condições ambientais do nosso rio. Do jeito que as coisas vão, ele vai morrer logo, logo. É só uma questão de tempo'', lamentou.

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