Uma montanha de entulho. Este é o panorama da encosta do vale do Córrego do Aí, na Zona Leste de Londrina. O despejo irregular dos restos de materiais de construção é feito em quintais da Rua Pingo D’Água, no Jardim Ideal. O crime ambiental foi flagrado pelo repórter fotográfico da FOLHA DE LONDRINA João Mário Goes. A equipe de reportagem acompanhou uma fiscalização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e da Polícia Ambiental na tarde de terça-feira.
  Os proprietários de duas casas da comunidade carente foram notificados para prestar esclarecimentos ao IAP. Eles correm o risco de ser autuados. A multa por despejo de entulho varia de R$ 5 mil a R$ 50 mil. O fiscal Milton Luiz da Silva, que notificou os moradores, classificou a situação como ‘‘gravíssima.’’
  ‘‘A disposição de resíduos a céu aberto só pode ser feita com licença ambiental. Hoje, somente uma empresa em Londrina está habilitada a receber e processar este material’’, explicou Silva. A fiscalização foi acompanhada pelos soldados Marcos de Oliveira e Hélio Pires, da Polícia Ambiental.
  Um proprietária notificada afirmou que o despejo no quintal dela é feito quando não há ninguém em casa. Informou ainda que nunca teve o interesse em saber quem é o responsável pelo descarte do entulho. ‘‘Quando comprei aqui, há uns três anos, já estava assim. Não sabia que tinha problema’’, declarou.
  Ela e o marido, que trabalha com transporte de mudanças, deverão tentar localizar o dono da caminhonete que costuma despejar o entulho no local e impedir que a prática prossiga. O IAP também vai investigar quem são os responsáveis pelo descarte irregular.
  O excesso de lixo parece não incomodar a vizinhança. Na mesma rua, um casal que tira o sustento de material reciclável convive com um quintal lotado, onde é difícil circular, e faz a separação ao lado da casa e nas proximidades da encosta do vale.
  Em meio aos sacos plásticos repletos de papelão, ferragem, garrafas pet e outros materiais recicláveis, o coletor revela que não tem alternativa a não ser queimar o que não pode ser vendido. No momento da abordagem do IAP e da Polícia Ambiental, ele tocava fogo em plásticos no fundo de casa. ‘‘A gente queima porque todo mundo faz isso. Agora não vou fazer mais’’, prometeu.
  O fiscal Milton Luiz da Silva declarou ainda que a situação é ‘‘muito mais um problema social do que um crime ambiental.’’ Na mesma semana, outra equipe de reportagem flagrou um carroceiro despejando entulho no canteiro central da Avenida Brasília, na Zona Oeste da cidade.
  O chefe-regional do IAP em Londrina, Carlos Alberto Hirata, revelou que pretende discutir saídas para o problema com a administração municipal e o Ministério Público. ‘‘O município precisa discutir uma intervenção mais adequada para aquela localidade. As empresas acabam se valendo da fragilidade das famílias e prestando um desserviço ambiental à comunidade’’, afirmou.

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