Joaquim Távora - Uma quadrilha especializada em extração ilegal de palmito está assustando fazendeiros e produtores da região de Joaquim Távora (53 km ao sul de Jacarezinho). O grupo anda armado, segundo a polícia, e também estaria cortando árvores de madeira nobre em reservas da região. Mais de 10 pessoas, algumas já identificadas pela polícia, são suspeitas de integrar a rede clandestina de corte e comercialização do produto. Uma delas seria um homem identificado pela polícia como Boca-Rica, acusado de praticar numerosos furtos residenciais em Carlópolis. ''Ele é nosso principal suspeito. Já fizemos a emissão de carta precatória à Justiça de Carlópolis pedindo informações sobre os antecedentes criminais dele. Acredito que ele tenha passagens pela polícia'', relatou o delegado de Joaquim Távora, Rubens José Perez.
Na terça-feira passada, as polícias Militar e Florestal interceptaram uma carga contendo mais de 200 bastões de palmito arrancados da Fazenda da Capela, em Joaquim Távora. Com a chegada das viaturas, os integrantes da quadrilha fugiram em direção à mata fechada deixando a mercadoria pra trás. Um funcionário da fazenda - que já sofreu ameaças - acredita que a extração vem sendo realizada há pelo menos 20 dias. ''Pela forma como agem, como amarram os palmitos - com o cipó que tiram da mata - dá para ver que são profissionais, sabem o que estão fazendo. Acho que já cortaram mais de mil cabeças em 20 dias'', afirmou. Até chegar à reserva da fazenda uma área de 500 hectares, remanescente da vegetação nativa da região são de três a quatro quilômetros de pasto, com terreno irregular. Além disso, o acesso à reserva é difícil. ''Acredito que o transporte do palmito venha sendo feito com o uso de motos. Já ouvi o barulho e vi luzes de faroletes durante a noite. Acho que eles cortam durante o dia e carregam à noite'', arriscou outro empregado da fazenda. De acordo com os funcionários, a quadrilha continua agindo, mesmo com o aumento da vigilância policial na região.
O proprietário da fazenda, que pediu para não se identificar, lamentou, sobretudo, os prejuízos ambientais causados no ecossistema. No local, como a reportagem pôde constatar, além da devastação da vegetação, a mata foi contaminada com os vestígios deixados pelos invasores, como sacos de plástico, bagaços de laranja e outros objetos. ''O que mais lamento é o prejuízo que esse tipo de crime causa ao meio ambiente. Isso prejudica também uma parte da fauna local, que se alimenta somente do palmito e outros tipos de vegetação'', ponderou.
Como a reserva acolhe uma rica biodiversidade, a fazenda virou ainda refém da ação de caçadores e cortadores de madeira nobre. ''Nossa intenção é presevar a área. Jacarés foram extintos na região e tivemos que iniciar um projeto de repovoamento. Hoje temos jacarés até a represa de Xavantes'', afirmou. As pacas, javalis, catetos e porcos do mato são também os principais alvos de caça na região.

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