Ter animais de estimação, principalmente cães e gatos, traz muitos benefícios para adultos e crianças. Eles são ótima companhia para brincadeiras e passeios, melhoram a auto-estima, desenvolvem o senso de responsabilidade e amam os donos sem se preocupar com aparência ou condição financeira. Mas muitas pessoas não percebem isso e vêem nos bichinhos apenas um incômodo por causa do barulho e das ''invasões'' nos quintais vizinhos.
Moradores da Rua Manoel de Almeida Filho, no Conjunto Maria Cecília, Zona Norte de Londrina, sabem muito bem que esse tipo de comportamento pode causar a morte dos animais, como vem ocorrendo nos últimos dias na região. O metalúrgico aposentado Luiz Paulino da Silva, 54 anos, já teve que recolher três gatos mortos de seu quintal e viu o próprio animal agonizar até a morte há dois dias. ''Faz uns dois anos que isso está acontecendo e vários vizinhos perderam seus animais. Agora mataram minha gata também. Ela saiu para a rua e em meia hora voltou passando mal'', afirmou.
O animal, que se chamava Chica e tinha um ano de idade, era o preferido da filha de Luiz Paulino, Giovana de Paula Silva, 7. ''A gata dormia comigo e era minha amiga de brincadeiras. Sofri muito ao vê-la morrer e chorei bastante. Não quero outro gato porque tenho medo de ele ser morto também'', contou a menina.
A família também tem dois cachorros, que depois do aumento no número de mortes por envenamento na rua, mudaram o estilo de vida. ''Antes eles ficavam soltos no quintal e agora tenho que deixá-los presos na corrente e só soltar com alguém por perto'', disse Silva.
Um vizinho da família, o caminhoneiro José Alves, 65 anos, também foi vítima dos ataques e perdeu dois cachorros que estavam dentro de seu quintal. ''Eles morreram em plena luz do dia e ninguém viu nada. Um deles era um cachorro grande mas muito manso. Ele brincava com todo mundo da rua. Não entendo como alguém pode fazer isso'', lamentou.
Apesar do grande número de casos de animais mortos de forma criminosa, nenhum dos vizinhos denunciou os casos à polícia. ''Mas agora eu me cansei disso e quero tomar uma atitude. Vou procurar as autoridades e espero que alguém encontre quem é o responsável por isso e que essa pessoa pague por seus crimes'', garantiu o aposentado.
Segundo a veterinária e vice-presidente do SOS Vida Animal, Patrícia Nasser Gardemann, matar animais é um crime previsto em lei e passível de prisão. ''As pessoas que tiverem seus bichos de estimação mortos de forma suspeita devem procurar a UEL (Universidade Estadual de Londrina) e pedir uma necropsia e um exame toxicológico para comprovar o envenenamento. Depois, é preciso fazer uma queixa na delegacia comum e, se isso não der resultado, procurar o Ministério Público'', aconselhou.
Ela disse que o método mais comum para envenenar animais é utilizar o popular ''chumbinho'', que tem sua venda proibida em todo o País. ''A pessoa que vende também pode ser penalizada. Os sintomas mais comuns desse tipo de envenenamento são tremores, vômito, salivação e muco amarelado no ânus. Se o dono perceber isso, deve levar o animal com urgência a um veterinário'', disse.
Para evitar que o bicho de estimação sofra com ações desse tipo, a veterinária dá algumas dicas. ''O ideal é deixar os cães presos no quintal, preferencialmente longe do portão da frente da casa, e castrar os gatos para evitar que eles fiquem na rua. Se o cachorro late muito, é importante verificar o motivo. Pode ser falta de comida, falta de atenção. Manter um bom relacionamento com os vizinhos é fundamental, embora o incômodo causado por um animal não seja motivo para matar. Existem outras medidas a serem tomadas''.

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