Uma tragédia ainda sem explicação chocou a comunidade da Universidade Norte do Paraná (Unopar) na manhã de ontem: uma estudante foi assassinada no campus do Jardim Piza, Conjunto Roseira (Zona Sul de Londrina). Conforme a Polícia Civil, a estudante do terceiro período do bacharelado em Educação Física, Amanda Rossi, 22 anos, teria sido golpeada no rosto e depois asfixiada. O corpo estava dentro da sala de máquinas que trata a água da piscina do curso de Fisioterapia.
Amigos e familiares de Amanda estiveram ontem na universidade, onde receberam a notícia. Bastante abalado, o pai da estudante, o comerciante Luis Carlos Rossi, disse que a família estava desde sábado procurando a jovem. ''Ela tinha vindo pra cá para participar de um evento mas acabou saindo de perto das amigas. Ninguém conseguiu encontrá-la. No domingo fomos para a delegacia registrar um boletim de ocorrência e já estávamos desesperados sem saber o que fazer. Minha filha era uma menina maravilhosa, sempre nos ligava avisando se ia demorar ou não. Eu quero muito que quem fez isso seja encontrado e preso'', disse, entre lágrimas.
Amanda saiu de casa no sábado a tarde para participar do II Festival Unaero Hip Hop Londrina, no Ginásio de Esportes da Unopar. Ela trabalhou na organização do evento, que aconteceu à noite, e apresentou um número de dança. Amigas da jovem relataram aos pais dela que minutos depois de ter se apresentado, a estudante teria dito que iria falar com alguém e que ''já voltava''. Cerca de meia hora depois os amigos começaram a estranhar a ausência da jovem e avisaram a família. Eles tentaram falar com Amanda pelo celular mas não conseguiram. De acordo com familiares, a bolsa e o celular da jovem não foram encontrados.
Segundo a assessoria de imprensa da Unopar, havia aproximadamente 300 pessoas no ginásio. O local foi aberto ao público e os participantes do evento tinham acesso livre ao campus.
O perito do Instituto de Criminalística, Luciano Bucharles, que esteve no local do crime retirando o corpo da jovem na manhã de ontem, disse que a estudante foi encontrada deitada de barriga para cima e que não havia nenhum objeto por perto. ''Havia uma quantidade de sangue próximo à cabeça, onde havia um ferimento'', observou.
De acordo com o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Sérgio Barroso, a perícia do Instituto Médico Legal (IML) constatou que Amanda teria sido agredida no rosto com um objeto pontiagudo como um anel, soco-inglês ou uma barra de ferro. Em seguida, ela teria sido asfixiada. O IML não constatou violência sexual. Devido ao avançado estado de decomposição do corpo, os peritos indicaram que o crime teria ocorrido na noite de sábado. O delegado-operacional da Divisão de Homicídios, Joaquim Melo, ouviu ontem colegas de turma da vítima mas ninguém deu declarações à imprensa. A Polícia trabalha com as hipóteses de homicídio passional ou latrocínio (roubo seguido de morte).
Segundo a reitora da Unopar, Elisabeth Laffranchi, a instituição vai oferecer ''todo o apoio necessário à família e à polícia''. ''Estou arrasada com a monstruosidade que fizeram aqui. Não vamos sossegar enquanto esse caso não for resolvido. Temos câmeras instaladas na quadra e vamos disponibilizar tudo à polícia. Vamos começar um movimento pela segurança em Londrina porque ninguém aguenta mais a situação como está''.
Ainda segundo a assessoria da Unopar, a porta de acesso à sala de máquinas onde Amanda foi encontrada fica sempre aberta pois as manutenções são frequentes no local. A reitora estranhou o fato do corpo ter sido encontrado lá porque, segundo ela, a segurança do campus estaria impedindo o acesso das pessoas aos demais setores da instituição.
Amanda era a filha mais velha de Rossi. A mais nova completou 17 anos no domingo, sem notícias da irmã, a quem, segundo o pai, ''sempre foi muito ligada''. A família reside na Vila Fraternidade (Zona Leste). Segundo a prima de Amanda, Cintia Lilian, a jovem sempre foi uma garota tranquila e não tinha envolvimento com pessoas de má índole. Amanda teria terminado um noivado há cerca de dez meses e pelo que a família sabia, ela não estava envolvida com ninguém atualmente. ''Ela era uma menina calma, serena, estudava e trabalhava. Estava fazendo estágio e era muito esforçada. A família está muito abalada'', comentou a prima.
O sepultamento acontece hoje às 8 horas no Cemitério São Pedro.(Colaborou Luciano Augusto)

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