CRIME - Golpe do sequestro ainda é comum em todo o País
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terça-feira, 13 de novembro de 2007
Wilhan Santin<br> Reportagem Local 
Mesmo sabendo que tudo não passou de um golpe, Maria (nome fictício) ainda fica nervosa quando se lembra dos momentos de terror que passou recentemente e prefere não se identificar. Ela foi uma das inúmeras vítimas de um trote dos mais terríveis que se tornou o estelionato do momento: recebeu um telefonema dizendo que sua filha havia sido sequestrada.
Ela se lembra com detalhes da ligação. Primeiro foi uma moça, que chorava e dizia que havia sido sequestrada. ''Acreditei que era a minha filha e falei o nome dela'', recorda. Em seguida, um homem passou a falar com Maria, gritava e fazia ameaças. Enquanto isso, a moça continuava chorando ao fundo e pedia pelo socorro da mãe.
''Naquela hora, fiquei nervosa demais. Não tinha forças para nada. A única coisa que consegui fazer foi ir até o portão e começar a chorar. Eu já sabia do golpe, mesmo assim acreditei, pois parecia que tudo que eles falavam era realidade. Passei mal, quase morri. Felizmente os vizinhos me ajudaram, caso contrário eu até tentaria arrumar um dinheiro para fazer um depósito bancário como pedia o suposto sequestrador'', relata.
A história de Maria é mais uma entre tantas desse tipo. Hoje em dia não é difícil encontrar alguém que já tenha sido vítima. O problema é que, mesmo com o golpe sendo conhecido, as pessoas acabam caindo. ''Na hora do desespero não tem jeito, você fica com medo daquilo tudo ser verdade e, ao ignorar o bandido, colocar a vida de uma pessoa da qual gosta em risco. Eu também caí'', conta Geraldo, outra vítima que prefere não ter seu nome completo publicado.
De acordo com o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (10 SDP), Sérgio Luiz Barroso, esse tipo de estelionato está acontecendo em todos os lugares do Brasil. Na maioria das vezes, o suposto sequestrador fala de dentro de uma penitenciária.
''Quase sempre, os bandidos escolhem números de telefones aleatoriamente. Porém, existem alguns que trabalham com mais sofisticação, conseguindo dados das vítimas antes de aplicar o golpe. É preciso atenção'', diz o delegado.
Barroso conta que já atendeu um caso de um rapaz que acreditou na história de que a sua mãe havia sido sequestrada, depositou R$ 8 mil na conta bancária que os golpistas haviam indicado e foi esperar pelo resgate de sua mãe em um lugar que os bandidos haviam indicado, em uma cidade vizinha.
''Enquanto isso, a senhora estava trancada dentro de casa, com o telefone fora do gancho porque os bandidos haviam ligado para ela e mandado que procedesse assim, pois haviam sequestrado seu filho. Nesse caso, ainda consegui bloquear o dinheiro no banco porque fui comunicado rapidamente. Mas nem sempre é assim, pois eles abrem contas com documentos falsos e retiram o dinheiro tão logo acontece o depósito'', alerta o delegado.


