José Cândido da Silva nasceu em Alvorada do Sul e recorda que ainda era menino da roça, tinha seis anos, quando fez a miniatura de madeira de um carro-de-boi, que muito a contragosto doou a um amigo do pai. Mudou-se para a cidade em 1980 e, sem estudar regularmente, demorou a concluir o 2º grau. Depois, apenas ''um curso de empreendedorismo no colégio'', em 2003.
Sem nunca ter frequentado uma disciplina de arte, começou ''a ensaiar'' com cimento, e tinha dificuldade para modelar caras de animais. ''Não me considero escultor, não tem muita riqueza de detalhes em minhas peças. Mas gosto do resultado do que elas transmitem'', afirma, sobre a receptividade. Diz que se sente gratificado ao ouvir elogios de adultos e perceber o interesse das crianças.
Parte da sua produção está na oficina de torno e solda, na Avenida Anita Garibaldi, saída para Primeiro de Maio. ''SOS Natureza'' associa devastação florestal e animais em perigo; ''Leão & Leopardo'', feita de cimento e inspirada na dupla Leandro & Leonardo, condena o que os homens têm feito com os bichos, tirando-os do habitat, forçando-os ''a serem artistas'' de circo.
Há peças menores, de ferro e de alumínio, também de figuras humanas e de aves. ''Não consigo fazer uma peça que seja sem sentimento'', resume José Cândido, casado, pai de quatro filhos e que se tivesse continuado a estudar, gostaria de ser engenheiro mecânico.
Quase todo o equipamento da oficina, incluindo o torno, foi ele quem fez, valendo-se de muita criatividade. Adaptou câmbios de automóveis e usou pedaços de trilho. Construiu a própria a casa, ajudado pelos filhos, e no quintal montou um ''cata-vento'', passando a acumular energia eólica. No momento, o ''moinho'' está parado, para que sejam substituídas as pás. (W.S.)

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