Apesar das dificuldades enfrentadas pelos Centros de Educação Infantil (CEIs), alguns conseguem se sobressair e prestar um bom serviço. A receita leva ingredientes como criatividade, engajamento dos funcionários e apoio da comunidade, capazes de transformar as instituições em verdadeiros ''lares'' para os pequenos que passam o dia todo nas escolas.
O CEI Reverendo Jonas Dias Martins, que existe há 50 anos e desde 1977 conta com apoio da prefeitura, é um exemplo. Apesar de filantrópica e contar com apenas parte de um repasse da Secretaria de Educação, a articulação dos trabalhadores em busca de recursos possibilita até sobra de materiais. Com isso, a diretora Marlyse Marinho Teixeira comenta que no ano passado a creche conseguiu doar materiais escolares, como papel sulfite, lápis e tubos de cola para outras três creches. ''Fizemos uma parceria com escolas particulares de Londrina e eles nos ajudam muito. Então esse tipo de coisa não falta aqui e não precisamos nos preocupar nunca'', explica.
O envolvimento da comunidade e pais dos alunos resultou em uma reforma avaliada em cerca de R$ 40 mil reais, que incluiu ampliação de salas, construção de fraldário, readequações nos banheiros, lactário e brinquedoteca. Ao todo, a creche conta com 138 crianças, de 2 a 5 anos de idade, que passam o dia todo na escola. ''Os pais não pagam nada. Só contribui quem pode. A reforma contou com a ajuda de uma arquiteta voluntária que fez o projeto para a gente. Se não fosse o apoio da comunidade, com certeza teríamos muitas dificuldades'', diz a diretora.
As parcerias não param por aí. Frutas e hortaliças utilizados na merenda são resultado de doações diárias de um sacolão do bairro. Os alimentos como arroz, feijão, leite, entre outros, também são conseguidos por meio de voluntários e convênio com o Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), que fornece pacotes com irregularidades no peso. Já as famosas motocas, que as crianças adoram, foram adquiridas por meio de rifas que a creche fez com apoio dos pais. ''Toda creche passa por dificuldades, mas a participação da comunidade acaba sendo fundamental para um trabalho realizado com qualidade'', finaliza a diretora.
Em outro lado da cidade a pequena Manuela, de apenas 4 anos, se diverte na horta-escola preparada pelos alunos com ajuda de professores do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Malvina Poppi Pedriali, localizada na Vila Fraternidade (Zona Leste de Londrina). Feliz em compartilhar com os outros alunos as atividades na horta, Manuela lança um grande sorriso quando olha para o pé de couve e comenta: ''Eu levo pra casa e minha mãe faz frito para eu comer.''
A satisfação da menina é compartilhada com as outras 93 crianças matriculadas no CMEI, que desde 2002 é gerenciada pela Secretaria Municipal de Educação. A diretora da escola, Celiana Aparecida Pedroso, explica que a horta-escola visa benefícios na aprendizagem dos alunos. ''Temos de tudo um pouco aqui, depende da época. A horta foi preparada em 2006. As crianças ajudam a plantar, observam o crescimento das hortaliças e aprendem a gostar das verduras que antes elas não queriam comer'', diz.
Segundo Celiana, os alunos levam os produtos para casa e pedem para os pais prepararem. ''O importante é que são alimentos saudáveis e que contribuem para a saúde deles. Quando é dia de passear na horta, os pais até mandam sapatinhos para pisar na terra. Aqui eles aprendem Ciências, Matemática e o principal: o gosto pelas verduras'', comenta a diretora.
O reflexo da ação diferenciada é sentido pelos pais. Interessado na rotina do filho de 3 anos, que há um ano frequenta a escola, o eletricista Clóvis Donizete Batista aproveita as férias para ajudar na pintura do parquinho da creche. ''A gente fica muito feliz em ver o desempenho do nosso filho. Ele chega em casa todo contente, comenta sobre a horta e come de tudo. Então resolvi tirar umas horas para ajudar em alguma coisa'', comenta Batista, que mora perto do CMEI.

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