O garotinho Lucas Pereira da Silva, 4 meses, morreu ontem, em Curitiba, afogado no próprio vômito (broncoaspiração). Ele havia mamado às 10h30, e meia hora depois foi encontrado morto no berço pela mãe, que mora na Rua João Inocêncio de Miranda numa área de invasão, próximo da Estrada Mina do Ouro. Lucas não chegou a ser encaminhado ao hospital, mas acidentes domésticos como o dele representam uma das causas mais comuns de atendimento de emergência nas pediatrias hospitalares da cidade.
Normalmente, esses acidentes acontecem por causa de descuidos com componentes da vida cotidiana que, muitas vezes, passam despercebidos. Uma chaleira com água quente no fogão, facas sobre a mesa, tapetes ao lado da cama ou uma moeda no chão representam risco de um acidente doméstico nas casas onde moram crianças menores de cinco anos.
A chefe do pronto-atendimento do Hospital Vita, Rosaine Aparecida de Oliveira, explica que uma chaleira com água quente é um perigo em potencial para as crianças, principalmente na fase em que estão aprendendo a andar. ‘‘Um minuto de descuido é suficiente para acontecer um acidente’’, diz. A criança que derrama água fervente sobre o corpo acaba apresentando queimaduras de 1º e 2º graus. Casos como este são comuns no pronto-socorro do Hospital Evangélico, que atende cerca de 40 crianças queimadas todos os meses.
Em menor número, outros acidentes domésticos levam várias crianças quase diariamente aos hospitais. Só este mês, seis foram internados no Evangélico por terem ingerido corpos estranhos, como moeda, anel, chave, tampa de garrafa e até alfinete. Outros quatro colocaram objetos como estes no nariz, e outros dois no ouvido. O pronto-atendimento também registrou quatro casos de intoxicação medicamentosa e um de ingestão de veneno de rato.
Para evitar problemas como estes, o pediatra Jackson Prochmann, que atua no Hospital Vita, alerta que os adultos devem tomar muito cuidado em casa. Entre eles, evitar tomar bebidas quentes, como café ou chimarrão, com crianças no colo. ‘‘De repente o bebê, ao bater na xícara, pode acabar se queimando’’, diz. Facas e outros objetos cortantes também devem ser mantidos longe do alcance das crianças. Além do corte existe ainda o risco maior dos objetos serem introduzidos em tomadas elétricas, provocando choques.Mesmo em casa, perto dos pais, crianças pequenas correm risco
de queimar-se, engolir objetos ou levar choque na tomada
Marcelo AlmeidaArthur precisou de pontos no supercílio ao bater a cabeça. Não foi a primeira vez, diz o pai, Paulo DobbinsEvangélico atende 40
crianças queimadas
todos os meses - o
acidente mais comum

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