Maigue Gueths
De Curitiba
Quatro das cinco crianças ucranianas, que chegaram em Curitiba no dia 25 de outubro para fazer tratamento contra leucemia no Hospital Evangélico, voltaram ontem ao seu país de origem, para passar as festas de Natal e Ano-novo com suas famílias. Depois de quase dois meses de tratamento, os três meninos, Serguei Romanets, 7 anos, Yaroslev Opanasenko, 8, Oleg Dsybulsky, 9 e a menina Daria Metushevka, 9, retornam com a doença controlada e sem necessidade de tomar medicamentos. O garoto Olexandr Horbatiuk, de 8 anos, não recebeu alta e terá de permanecer internado no hospital pelo menos por mais 15 dias, recebendo doses de ataque de quimioterapia.
Desde fevereiro, esta é a terceira turma de cinco crianças que a Representação Central Ucraniana-Brasileira traz ao Brasil. Mas é a primeira vez que uma tem o quadro de saúde agravado na cidade. ‘‘O problema aconteceu com o Olexandr, que com 15 dias de Brasil já mostrou alterações em seus exames e reincidência da leucemia’’, explica a pediatra Edimara Seegmuller, da equipe do Hospital Evangélico, que acompanhou o tratamento das crianças.
Nas demais crianças, a leucemia não é mais detectada pelo microscópio, mas elas terão de fazer exames periódicos durante os próximos cinco anos. A médica diz que não há previsão de quando o garoto Olexandr receberá alta. ‘‘Ele está numa fase crítica da doença, mas está tendo uma evolução boa’’. diz.
Além do Brasil, o programa de apoio às crianças atingidas pelo acidente nuclear da usina de Chernobyl existe em outros países, como a Espanha, Grécia, Cuba, Canadá, Espanha e Estados Unidos. Elas são vítimas de um acidente, ocorrido em 25 de abril de 1986, quando um reator nuclear da usina fundiu, vazando radiação e atingindo moradores da Ucrânia e de países vizinhos. O governo ucraniano estima que 1,5 milhão de crianças foram afetadas pelo desatre atômico.
No Brasil, o Evangélico é o único hospital com médicos especializados na cura de leucemia provocada por exposição à radiação atômica. A Representação Brasileira espera trazer uma nova turma para tratamento em março ou abril do próximo ano. Para isso, a Representação continua angariando fundos através da conta 03800-08, agência 0123 do HSBC Bamerindus. Segundo Welgacz, cada grupo tem um custo entre US$ 5 mil a US$ 6 mil para serem trazidos ao Brasil. O tratamento no Hospital é gratuito, as crianças ficam hospedadas em casas de famílias de descendência ucraniana, mas as passagens são custeadas com estes recursos.

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