Giovani Ferreira
De Curitiba
Chegaram ontem, a Curitiba, mais cinco crianças ucranianas filhas de vítimas da explosão atômica de Chernobyl, ocorrida em abril de 1986, na antiga União Soviética. Elas vieram ao Brasil para fazer tratamento contra as doenças causadas pela radiação. As crianças são moradoras da cidade de Shitomir, vizinha a Chernobyl.
Este é o segundo grupo de menores que vem da Ucrânia para ser tratado no Hospital Universitário Evangélico. As primeiras cinco crianças, que foram embora no último dia 9 de maio, ficaram no Paraná durante 80 dias.
Segundo André Zacharow, presidente da Sociedade Evangélica Beneficente, as cinco crianças que chegaram ontem possuem problemas mais graves do que os menores do grupo anterior. Quatro delas estão com leucemia e uma está sofrendo de anemia hemolítica. São doenças de natureza hematológica, que atingem a corrente sanguínea das pessoas.
Assim como ocorreu da última vez, as crianças ficarão hospedadas em casas de voluntários descendentes de ucranianos. Um dos casais ‘‘adotivos’’, Marcos e Daniele Nogas, ainda não tem filhos. Eles vão ficar com a menina Olga Liubitch, de 8 anos. De acordo com Marcos, eles resolveram integrar esse trabalho voluntário ‘‘pela oportunidade de ajudar e também pelo sentimento da descendência ucraniana’’.
O casal Irineu e Maria Dmeterco, pais de dois filhos, vão hospedar a menina Oksana Poliakova, de 9 anos. Irineu acredita que será ‘‘muito gratificante poder ajudar pessoas que estão precisando’’.
Antônio e Rosângela Komarcheuski, que já possuem três filhos, estão sendo mais audaciosos. Eles vão cuidar de duas crianças, Dmitro Mikhailovskiy, de 7 anos, e Maksim Diadchenko, de 10 anos. A quinta criança, Ludmila Obsremska, de 10 anos, vai ficar com Estefano e Marta Sidyr.
O tratamento das crianças está sendo possível por meio de um acordo entre a Sociedade Evangélica Beneficente e a Representação Central Ucraniano-Brasileira. Com uma população de aproximadamente 50 milhões de pessoas, a Ucrânia possui três milhões de habitantes que ainda sofrem com os efeitos da radiação. Do total de pessoas doentes, 1,5 milhão são crianças.

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