Crianças transformam sucata em arte
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de julho de 1997
Antônio França Foz do Iguaçu 
Ney de Souza
Resultado surpreendenteOs trabalhos podem ser vistos numa exposição na Caixa Econômica Federal; Jhonny Wilson Rodrigues (acima) já sonha em ser escultor profissional
Crianças e adolescentes de Foz do Iguaçu, entre nove e 14 anos, deixaram as ruas e estão transformando ferro-velho retorcido e enferrujado em obras de arte. O programa Da Sucata à Arte, desenvolvido numa parceria entre Fundação Cultural e Centro de Atendimento Integral à Criança e ao Adolescente (Caic), é inédito na cidade e busca a sensibilidade e criatividade infantil.
Os adolescentes conseguem transformar canos velhos, latas, parafusos e peças de carros fora de uso em objetos estilizados e abstratos, como morcego, tartaruga, esquilo, robô e avião. A primeira etapa do projeto teve a adesão de 17 crianças e adolescentes que moram em bairros carentes na região do São Francisco (zona nordeste da cidade) e frequentam aulas do Caic.
Os adolescentes usam esmeril com escova de aço para lixar as peças, solda para uni-las e verniz para dar lustre. O resultado dos trabalhos poderá ser conferido numa exposição na Caixa Econômica Federal. A beleza das peças chamou a atenção do Mabu Hotel - estabelecimento de cinco estrelas em Foz do Iguaçu - que convidou os adolescentes para expor suas peças. A mostra será realizada de 19 a 28 deste mês.
Os trabalhos estão sendo vendidos e custam entre R$ 10,00 e R$ 50,00. Das 46 obras, seis já foram vendidas. Com o dinheiro, vamos comprar mais peças para continuar o trabalho, planeja o menino Alan Brasil Vieira Neto, de 13 anos, um dos integrantes do curso.
O projeto Da Sucata à Arte é oferecido gratuitamente aos estudantes da rede municipal de ensino. O monitoramento é feito pelo artista plástico Ivo Fernandes que, além de orientar os alunos, acompanha todo o trabalho de montagem das peças e realiza a parte de soldagem.
Segundo a criadora e coordenadora do projeto, Geilda do Nascimento, a primeira etapa superou suas expectativas. Ocupamos o tempo ocioso das crianças, que após as aulas ficavam nas ruas ou jogavam videogame em casa, diz. De acordo com Geilda, quase todos os integrantes do projeto mostraram ter vocação artística.
Antes, ficava em casa assistindo TV ou jogando bola. Agora, tomei gosto pela coisa e quero prosseguir fazendo esculturas, diz o adolescente Willian Marques, de 14 anos. Ele conta que seu pai (vendedor) e sua mãe (dona-de-casa) estão orgulhosos. A equipe de Willian fez sete peças.
Na próxima etapa, que começa em agosto no Caic no bairro Porto Meira (outra região carente da cidade), os estudantes da região terão oportunidade de iniciar a transformação de sucata em objetos de arte. Os alunos do São Francisco receberão passes de ônibus da prefeitura e passarão para um estágio mais avançado.


