Crianças têm deformação anatômica
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segunda-feira, 29 de março de 1999
Israel Reinstein 
O Hospital Evangélico deve concluir até a quinta-feira os estudos sobre o estado clínico das cinco crianças de Chernobyl, que estão desde fevereiro em tratamento em Curitiba. Ontem, os médicos do hospital estavam analisando os resultados dos últimos exames feitos com os jovens. Amanhã, a equipe que os trata deve se reunir para estabelecer o diagnóstico e também o tratamento. O corpo clínico está fazendo o mesmo trabalho com a médica ucraniana, Svitlana Digtyar, que veio com as crianças.
A pediatra Edimara Fait, que acompanha as quatro meninas e um menino (Oleana Nagorna, Ilariya Bilova, Anton Veritch, Hanna Tsenniova e Hanna Vasselichina), diz que o último ponto avaliado foi o endocrinológico, cujo resultado saiu ontem à tarde. Ela explica que os exames foram para verificar o estado da glândula tiróide das crianças e da médica ucranianas. A pediatra (que também é coordenadora do Centro de Controle de Infecções Hospitalar do Evangélico) explica que na Ucrânia a incidência de câncer nesta glândula é muita alta, em função do acidente da usina nuclear de Chernobyl.
Até o momento, os exames não apontaram nenhum distúrbio funcional da tiróide, porém em alguns exames foram registradas modificações anatômicas. Esta alteração não significa câncer, adverte a médica. Edimara afirma que as causas e as consequências da deformação nesse órgão ainda serão estudadas.
Porém, ela adianta que já se pode identificar pequenos nódulos na tiróide. A médica conta que a glândula coordena o estado emocional, equilibrando o organismo. Com isso, qualquer alteração afeta o estado de humor das pessoas.
Com base na avaliação dos nódulos, Edimara afirma que tratamento pode ser apenas medicamentoso ou uma intervenção cirúrgica. Independente da decisão, o corpo clínico do Evangélico pretende consultar a médica Svitlana Gigtyar.Não adianta começar o tratamento dessas pessoas se não houver continuidade quando voltarem à Ucrânia, afirma.
Todas as crianças estão sendo avaliadas por uma equipe multidisciplinar do hospital, que inclui até mesmo psicólogos.


