Curitiba - As 120 crianças da rede municipal de ensino que participaram ontem de uma aula de educação ambiental tiveram a companhia de lambaris e jundiás. Os peixes foram soltos pelos estudantes na represa do Parque Passaúna, durante as atividades do projeto Jundiá, desenvolvido pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e com o Museu de História Natural de Curitiba.
A fila em frente à caixa de transporte de peixes era longa. As crianças aguardavam a vez de receberem o recipiente onde nadavam os lambaris e jundiás e lançá-los na água. A experiência, mesmo que rápida, alegrava os estudantes. Marcelo Danilo Souza Castro, 16 anos, da Escola de Educação Especial Nilza Tartuce, ficou animado com a atividade que realizou pela primeira vez. "É muito bom, vai contribuir com o meio ambiente", afirmou.
Ao todo, 6 mil peixes foram soltos na represa, 3,5 mil jundiás e 2,5 mil lambaris, animais que vivem nas partes mais fundas dos rios e não contam com boa visão, por isso utilizam barbilhões (uma espécie de bigode) para se locomover. A reprodução dos animais foi feita no Laboratório de Psicultura da PUC-PR, no campus de São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), a partir de peixes coletados da própria represa. Também foram recolhidos animais em outros oito pontos do Rio Iguaçu -que fazem parte do Alto Iguaçu, respeitando e preservando as características das espécies de cada local.
Os pesquisadores analisaram a variabilidade genética dos peixes, que, quando em grande quantidade, indica boas condições de sobrevivência da população. A qualidade da água também foi analisada e, de acordo com o coordenador do projeto e professor da PUC-PR, Peter Gaberz Kirschnik, é muito prejudicada quando passa por Curitiba e região metropolitana. "A água é poluída em quase todos os pontos, é um rio morto. Os afluentes caem no Rio Iguaçu e apenas 20, 30 quilômetros depois, ele se depura sozinho", explica.
O ponto em que foi feita a soltura dos peixes está com condições favoráveis para a sobrevivência dos animais. Essa situação definiu o número de animais soltos na represa do Passaúna.

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