Crianças sofrem com distúrbios psíquicos
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sábado, 06 de novembro de 2004
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Uma consulta de rotina no pediatra pode ser fundamental para se reconhecer os distúrbios psíquicos na primeira infância, normalmente ocasionados em função da relação de conflito entre mãe e bebê. Detectando precocemente os sinais de conflitos nesta fase da vida, há mais chances de reverter os riscos no desenvolvimento. Para lidar com as duas vertentes do desenvolvimento do bebê - a orgânica e a psíquica - a psicanalista Julieta Jerusalinsky, da Associação Psicanalítica de Porto Alegre e professora do Centro Lydia Coriat de Porto Alegre, proferiu palestras sobre o assunto neste final de semana em Londrina. Participaram pediatras, professores, psicopedagogos entre outros profissionais que trabalham com criança.
Pesquisas neurobiológicas dão conta de que os primeiros anos de vida da criança representam uma fase-chave tanto na formação do encéfalo como na estruturação do psiquismo. Na atualidade, informa Julieta, é significativo o contingente de crianças entre 6 e 7 anos que apresentam comprometimento psíquico. Entre os mais comuns estão os atrasos na linguagem e na parte motora, doenças respiratórias repetitivas, problemas com a alimentação e o sono, entre outras. Essas ''doenças'' são uma maneira da criança manifestar o seu sofrimento. Muitas dessas psicopatologias infantis, geralmente diagnosticadas a partir dos seis anos, aparecerem nos primeiros anos de vida.
Segundo a psicanalista, uma pesquisa do Ministério da Saúde estabeleceu, há cinco anos, os indicadores precoce de risco para o desenvolvimento infantil. A premissa é que, quanto mais cedo o reconhecimento desses sinais, maiores as chances de reverter o sofrimento, intervindo na relação da criança com os pais. ''Ainda causa surpresa que um bebê tenha sofrimento com ampla biografia e os best-sellers que existem referentes ao assunto. Isso torna necessário um trabalho interdisciplinar com profissionais que trabalham com a primeira infância'', propõe a psicanalista.
É fundamental, diz ela, que os pediatras tenham a boa vontade de incorporar esses novos conhecimentos à prática médica e que os gestores de saúde dêem condições para sua aplicabilidade. ''Em termos públicos tem muito que ser feito'', comenta a psicanalista. A observação desses indicadores precocemente, permitem o sucesso do tratamento terapêutico. ''O pediatra pode observar essa relação entre mãe e filho no momento da consulta e fazer a intervenção. Penso que um tratamento com bebês exige intervenção nos laços pais bebês''. disse. A proposta, é que o tratamento também seja realizado com os pais por um grupo de profissionais.


