Curitiba

Fotos: Albari Rosa





ToqueO menino Darlan Fabiano da Silva só precisou tocar a mão no instrumento para identificar os sons graves e até arriscou alguns acordes (foto de cima). Thomazini, contrabaixista da Orquestra Sinfônica do Paraná (foto do meio.): ‘‘O sentimento deles é uma coisa bem evoluída, todas as pessoas deveriam ter uma percepção assim’’. Crianças identificaram as diferenças de timbres dos instrumentos, como o oboé (foto de baixo)

Um grupo de 36 crianças da Central de Treinamento e Reabilitação da Audição (Centrau) de Curitiba driblou a surdez através da música na manhã de ontem. Eles assistiram a um ensaio da Orquestra Sinfônica do Paraná, no Teatro Guaíra, em Curitiba. Os alunos puderam ‘ouvir’ pelo tato, que capta a vibração sonora dos instrumentos. ‘‘Eles têm muita sensibilidade’’, disse a professora Maria José Kaiss, que levou os deficientes auditivos ao ensaio.
O contrabaixista Antônio Mariano Thomazini concorda com a professora sobre a sensibilidade musical dos deficientes auditivos. Ele ainda não havia sentido emoção semelhante em seus 12 anos na orquestra. O responsável por isso foi o menino Darlan Fabiano da Silva, que só precisou tocar a mão no instrumento para identificar os sons graves e até arriscar alguns acordes. ‘‘O sentimento deles é uma coisa bem evoluída, todas as pessoas deveriam ter uma percepção assim’’, comentou o músico.
As professoras do Centrau fizeram cartazes com os nomes de cada instrumento usado pelos músicos da orquestra. Os instrumentistas colaboraram ao deixar o repertório erudito de lado e executar peças populares, como ‘‘Se Essa Rua Fosse Minha’’ e ‘‘O Passo do Elefantinho’’. A preferência pelos instrumentos variou. ‘‘Eu gostei da tuba’’, contou a aluna Ana Paula de Souza. ‘‘O som que sai dela é grave’’, completou a colega Sulian Suélen Polli.
A diretora da Orquestra Sinfônica do Paraná, Cesarina Bernardoni, ficou empolgada com a platéia incomum. ‘‘Considero esse trabalho importantíssimo, principalmente pela troca de energia entre os músicos e as crianças’’, declarou. Segundo Maria José Kaiss, o objetivo da visita é exatamente integrar o deficiente auditivo à sociedade, ao mesmo tempo em que se trabalha a reabilitação do sentido pelo som.
‘‘Nós procuramos fazer com que os alunos percebam sons ambientais, diferenciem vozes de homens e mulheres, além de ritmos musicais’’, informou a professora. Ela defende a filosofia oralista de reabilitação, em que as crianças são orientadas a ler os movimentos dos lábios e a se comunicar pela fala com o uso do resíduo de audição. ‘‘Temos inclusive um coral formado pelos alunos, que cantam em uníssono enquanto eu faço a regência do ritmo’’, diz Maria.

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