A freqüência de intoxicações na infância se deve a uma combinação de imprudência dos pais e inadequação da indústria farmacêutica. Essa é a opinião do presidente do Conselho Regional de Farmácia (CRF) do Paraná, Everson Augusto Krum. ‘‘De um lado, a indústria produz medicamentos semelhantes a doces e balas, que atraem as crianças. Do outro, a população não tem o hábito de guardá-los em locais adequados, como o banheiro ou a cozinha’’, afirma.
  A farmacêutica do CRF, Cibele Sorace Korkievicz, sustenta a argumentação lembrando que os medicamentos mais utilizados nas intoxicações – anticoncepcionais, antidepressivos, anticonvulsivantes, neurolépticos e ansiolíticos – são aqueles mais expostos às crianças. ‘‘São remédios de uso contínuo, diário. Por isso costumam ser deixados à mão, ao alcance de crianças’’, explica.
  Para evitar esse tipo de acidente, o projeto de lei nº 4841, que tramita na Câmara dos Deputados, prevê a fabricação de embalagens especiais para medicamentos, que dificultem o acesso a crianças. Colocado em pauta em 1994, entretanto, a matéria encalhou na Câmara e, hoje, ainda aguarda parecer da Comissão de Constituição e Justiça. Um projeto parecido também está parado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A informação da assessoria de imprensa do órgão é de que ‘‘discussões preliminares mostraram que há resistência nas indústrias’’ e que ‘‘oficialmente, não há nenhuma solução em vista para os casos de intoxicação por medicamentos’’.
  Resta aos pais adotarem medidas preventivas dentro de casa. Medicamentos devem ser guardados e consumidos fora do alcance de crianças; remédios para adultos com embalagens semelhantes às infantis requerem cuidado redobrado; recipientes de medicamentos não devem ser jogados com o conteúdo no lixo; também não é recomendável dar remédio para as crianças no escuro.V.N.

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