Crianças são orientadas sobre abuso infantil
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de maio de 2008
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Um número que assusta. Para cada denúncia formalizada de violência contra crianças e adolescentes, de sete a dez casos deixam de ser notificados em Londrina. A informação é da coordenadora do Centro de Referência Especializado no Atendimento à Criança e ao Adolescente, conhecido como Projeto Sentinela, Télcia Lamônica de Azevedo.
A informação foi dada ontem de manhã, durante a abertura da 7 Semana Municipal de Combate à Violência Contra a Criança e o Adolescente. A cerimônia aconteceu na Unidade do Projeto Viva Vida União da Vitória (Zona Sul) e reuniu integrantes do projeto e representantes das áreas de Saúde, Educação e Assistência Social do município. A semana, que vai até o dia 16, prevê uma atenção especial a crianças e adolescentes, que serão abordadas e orientadas sobre todo o tipo de violência e abuso que venham a ser cometidos contra elas.
A intenção é percorrer seis escolas municipais da 1 à 4 séries, abordando as crianças e ensinando sobre as formas de abuso, além de visitar dez Unidades Básicas de Saúde (UBS), onde também será feito um trabalho de conscientização com distribuição de panfletos e a participação das crianças. Outros trabalhos serão desenvolvidos junto aos participantes do Projeto Viva a Vida, que já atendeu desde janeiro de 2002 1.120 crianças e adolescentes e seus familiares. Outras 545 crianças e adolescentes permanecem com atendimento, acompanhamento e monitoramento pelo projeto.
Nas escolas, o trabalho vai priorizar a distribuição de uma cartilha com histórias reais sobre violência sexual contra crianças e adolescentes. O material utilizado pelo programa ajuda a esclarecer as dúvidas de educadores, pais e das próprias crianças sobre situações de violência sexual.
Dados do Programa Sentinela indicam que só nos primeiros cinco meses deste ano 61 casos de abuso sexual de menores foram registrados pelo Centro, contra 261 casos no ano passado. ''É um número alto. A maior parte dos casos é cometida por pessoas da família, dentro da própria casa da vitima'', afirma Télcia. O último caso de violência com grande repercussão na cidade foi o de Jussara, bebê de apenas 39 dias, que foi espancada e morreu, há duas semanas. O pai, que confessou o crime, está preso.
Em Londrina, o Projeto Sentinela é realizado pela Secretaria Municipal de Assistência Social em parceria com o Núcleo Social Evangélico de Londrina (Nuselon) e o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDSCF). O serviço conta com equipe profissional formada por psicólogos, assistentes sociais, educadores sociais e terapeutas de família. ''Temos uma equipe especializada que é um diferencial em Londrina, capaz de identificar os casos e dar o acompanhamento necessário''.
Para a secretária de Assistência Social, Maria Luiza Rizotti, a unificação do serviço é importante para resolver os casos de abusos. ''A sociedade não pode se conformar com a situação de abuso e todos precisam se envolver para resolver o problema''.


