Crianças são cada vez mais vítimas da violência familiar
Lucinéia Parra
De Maringá
A desestruturação da família está contribuindo para aumentar a violência contra crianças e adolescentes em Maringá. No Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente, o número de casos atendidos de direitos do menor violados quase duplicou em um ano. Os atendimentos realizados pelas conselheiras revelam um número cada vez maior de violência contra crianças dentro de casa.
Elas estão sujeitas a maus-tratos, abuso sexual, violência psicológica e muitos outros tipos de agressões e constrangimentos. Os problemas sociais, principalmente o desemprego, são apontados como as causas de tanta violência.
De acordo com a presidente do conselho, Jailma de Carvalho Cabral, aumentaram muito os casos de mães que se sentem impotentes diante dos filhos menores. Na maioria das vezes, as mães não têm qualquer autoridade sobre os filhos, que crescem sem nenhum parâmetro de disciplina, respeito e obrigação. Além disso, alguns fatores contribuem para este distanciamento, como por exemplo, o fato do filho não ter sido desejado, e a necessidade da mãe de ficar a maior parte do tempo longe do filho para trabalhar.
Quando as mães se ausentam para o trabalho, as crianças e adolescentes acabam sendo vítimas de pais, geralmente drogados ou alcoólatras, de padrastos, parentes ou vizinhos. As mães, que historicamente se destacam pelo sentimento materno e fraternal, têm se mostrado indiferentes aos maus-tratos contra os filhos.
Segundo a conselheira e psicóloga Rute Grossi, o conceito familiar está abalado e, sem ele, a relação entre pais e filhos está cada vez mais difícil. É comum, segundo ela, que mulheres tenham vários filhos de pais diferentes e depois acabam expondo as crianças aos mais diversos problemas. No caso de uma separação entre marido e mulher, por exemplo, o casal costuma usar o filho como forma de pressão psicológica. Se a mulher quer a pensão alimentícia, ela ameaça o ex-marido de não deixá-lo ver a criança. Este tipo de pressão é comum e atinge diretamente os filhos que são vítimas dos problemas dos pais, explica.
Em abril de 98, o Conselho registrou 553 ocorrências de direitos da criança violados. Deste total, em 267 casos os pais foram responsáveis pela violência. No mesmo período deste ano, o Conselho registrou 789 ocorrências, sendo que em 417 casos os filhos foram vítimas dos próprios pais. Nos demais casos, as crianças e adolescentes violaram os direitos cometendo infrações.
A falta de estruturação familiar preocupa as conselheiras. Na maioria dos casos de violência contra as crianças e adolescentes, tanto a mãe quanto o pai estão abandonando seus filhos com muita facilidade. As pessoas, principalmente as mulheres, ainda não se deram conta que criar um filho hoje é muito difícil. É preciso que, principalmente as mulheres porque são elas que vão gerar a criança, se conscientizem sobre a responsabilidade de ter um filho, diz Jailma.





