Crianças são
as vítimas da
clandestinidade
As vítimas nos casos de adoção irregular são os bebês, seja qual for a decisão da Justiça. Pensam assim tanto a psicóloga Lídia Weber, professora da UFPR, quando o juiz da 2ª Vara da Infância e Juventude de Curitiba, Fabian Schweitzer.
O caso das crianças de Campo Largo adotadas pelo deputado Edson Praczyk não é diferente. ‘‘Quem sofre no final dessa história são as crianças’’, afirma Lídia. Para a professora, os pais biológicos erraram assim como o deputado. ‘‘Os dois lados estão absolutamente errados. Mas, o fato dele ser deputado torna o problema mais grave’’, diz. ‘‘Nós temos que parar no Brasil de dar um jeitinho em tudo.’’
Embora veja com preocupação a retirada dos bebês da família de Praczyk, Lídia diz que a atitude poderia ser pedagógica. ‘‘Mas e as crianças?’’, pergunta. A professora também pensa na mãe biológica. ‘‘Temos que pensar o quanto isso pesa para a mãe.’’
Por mais que Praczyk afirme que queria ajudar as crianças, a professora afirma que, na verdade, nestes casos os pais adotivos querem satisfazer os desejos próprios. ‘‘Quer satisfazer um desejo dele, de não ter tido um filho’’, opina. A boa condição financeira do deputado reforça a tese da professora.
Os estudos feitos por Lídia demonstraram que são os pobres que mais adotam irregularmente. Por dois motivos: solidariedade e, principalmente, desconhecimento da lei. Segundo a professora, a motivação de 68% das pessoas com nível superior que adotaram crianças era o fato de não terem filho. Já para 73% dos pobres, a principal razão foi ajudar as crianças.

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