A população infantil das duas áreas invadidas nos bairros Tatuquara e Pinheirinho, em Curitiba, representa aproximadamente 60% do número de ocupantes. Segundo os coordenadores das ocupações, os dois acampamentos abrigam cerca de 3,8 mil pessoas, sendo que 2,2 mil são menores de 14 anos. Cada família tem entre 2 e 4 filhos e a falta de estrutura pode acarretar problemas de saúde e educação para as crianças.
No Pinheirinho, onde as famílias estão acampadas há 12 dias, os problemas mais graves foram um caso de catapora detectado nesta semana, e o ataque de um cachorro de um segurança da propriedade ao menor Flávio Carlos de Meira, 11 anos. A primeira criança foi deslocada juntamente com sua mãe para outra área para evitar possíveis contágios. A mãe de Flávio, Sirlei Rodrigues de Meira, o levou ao posto de saúde para tomar a vacina anti-rábica (contra a raiva). Ela também registrou queixa junto ao Conselho Tutelar do Pinheirinho. ‘‘Fazer isso com uma criança é covardia’’, reclamou Sirlei, que também alertou sobre o surgimento de cobras e escorpiões na área invadida.
Na tarde de ontem, alheios à ameaça de desocupação da área, já determinada pela Justiça, Bruno, 3 anos, e sua irmã Cíntia, 2, brincavam em sua nova casa, ainda em construção. Seus pais, Aparecido Gomes da Silva, 22, e Silmara Beatriz da Silva, 18, querem que os filhos tenham um bom futuro. ‘‘Saímos de onde morávamos por causa das péssimas condições de moradia e do aluguel caro’’, afirmou Silva.
Na invasão do Tatuquara, o migrante Anésio Paula Dias, 55, lavrador de Cascavel, cuidava dos netos Giovani, 1, Luciana, 2, e Maria Madalena Antunes, 4. Enquanto os observava, reclamou das poucas condições de habitação e temia por uma represália policial.
Para atender as crianças das ocupações, as famílias dispõem das unidades de saúde Moradias da Ordem e Pompéia (Tatuquara) e Concórdia (Pinheirinho), que juntas atenderam 15.899 pessoas no mês de setembro.
As escolas municipais Jurandir Baggio Mockil e Dona Pompília são as referências locais. Mas os pais precisam garantir a nova moradia.
Ontem a Polícia Militar circulou pelas ocupações. ‘‘Conversamos com as lideranças e pedimos para que sejam respeitadas as decisões da Justiça’’, informou o comandante do 13º Batalhão, coronel Neuri Pires de Almeida.

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