O BENEFÍCIO DA VISÃO Crianças recebem óculos em Curitiba ‘‘Olho no Olho’’ treinou 106 professores e resolveu o problema de visão de 534 crianças de 91 escolas municipais, com doação de óculos Albari RosaENXERGANDONova visão com os óculos, segundo os escolares atendidos pelo programa do governo federal ‘‘Olho no Olho’’ De Curitiba A Secretaria Municipal da Educação de Curitiba distribuiu semana passada 534 óculos para alunos de 1ª série de 91 escolas municipais. A iniciativa faz parte da Campanha Nacional de Reabilitação Visual ‘‘Olho no Olho’’, uma parceria do Ministério da Educação com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Em agosto do ano passado, 106 professores aprenderam a fazer testes de acuidade visual e a identificar sinais de que a criança não está enxergando bem. A partir daí foi feita uma triagem e os alunos que mostraram problemas de visão foram encaminhados ao oftalmologista. As consultas começaram em outubro e foram feitas nos finais de semana nos hospitais conveniados à campanha. Os óculos foram distribuídos nesta semana nas escolas. Jéssica Silva, de 8 anos, do Centro de Educação Integral Francisco Frischmann, no Pinheirinho, conta que tinha muita dor nos olhos e não conseguia ler nada no quadro negro. Quando recebeu os óculos procurou ler tudo o que estava em volta. ‘‘O problema de visão dificulta muito o aprendizado do aluno. Ele perde o interesse, atrapalha os outros alunos e não percebe que tem o problema’’, explica a professora Bernardete Volpi de Oliveira. O garoto Luan Giusat, de 8 anos, recebeu os óculos com muita alegria. ‘‘Tinha muita dor de cabeça e nos olhos. Era difícil ver o que a professora escrevia no quadro’’, conta o menino. A história de Mariliz Pontes de Araújo, também de 8 anos, é parecida. Ela tinha dificuldades para enxergar. ‘‘Não tinha nem vontade de estudar’’, conta a menina. ‘‘Vamos garantir que as crianças tenham o direito de aprender bem. O transporte da criança ao médico será garantido pela Secretaria de Educação, para que os pais não tenham desculpa de não levar as crianças ao médico’’, explica Rejane Karam, psicóloga da gerência de educação especial da Secretaria Municipal de Educação. A médica orientadora do programa Michele Buchera faz um apelo aos pais. ‘‘Muitas vezes a criança não consegue saber se vê melhor com um olho do que com outro ou se não enxerga bem de longe ou de perto. Por isso, é importante a participação da família e a continuidade do tratamento’’, explica a médica. Existem alguns sintomas bem característicos que podem identificar os problemas de visão. Os mais comuns são dor de cabeça ou mal-estar durante ou após esforço visual, como leitura, por exemplo. Se a criança franzir a testa para olhar à distância ou se se aproximar muito de livros ou cadernos para ler, pode ter problemas. O desinteresse por leitura também poder ser um sinal. ‘‘Tentamos detectar o maior número de problemas possível. Às vezes, a criança é introspectiva, não brinca, por problema de visão. Nós queremos melhorar a qualidade de vida destas crianças’’, conclui a médica.