Uma atividade um inusitada movimentou a tradicional feira do Jardim Sol (zona oeste de Londrina) por um bom motivo ontem: conscientizar a população sobre a importância da prevenção à dengue. Com faixas e cartazes, cerca de 120 alunos da Escola Municipal Reverendo Odilon Gonçalves Nocetti realizaram um passeata entoada por gritos de guerra criados por eles.
"Estamos realizando a campanha para informar as pessoas que a dengue mata e que só depende da gente cuidar do quintal e do resto da casa para evitar que o mosquito apareça", contou o aluno Marco Antônio de Lima Oliveira, de 11 anos, que ajudou na confecção de cartazes. E Marco Antônio sabe bem da importância da campanha, afinal, no ano passado o pai e a avó foram infectados. "Graça a Deus está tudo bem, mas eles poderiam não estar mais aqui. O problema é sério e as pessoas precisam se conscientizar."
Os alunos também produziram quatro fanzines para entregar aos feirantes e fregueses. Segundo a professora do 5º ano, Sandra Regina da Rocha, o objetivo do trabalho foi, além de debater um assunto que tanto afeta a população e conscientizar os moradores, ensinar sobre as diferentes áreas da ciência. "Interdisciplinariedade é a palavra-chave. Com uma atividade como essa, os alunos desenvolvem a oralidade, a escrita, o desenho, a criatividade, aprendem a importância da pesquisa para a produção do material que vão entregar", destacou.
Segundo a diretora da escola, Silvana Moraes, a feira foi escolhida por ser um espaço democrático. "Aqui é onde o pessoal do bairro se reúne para comprar os alimentos, mas também para conversar com um vizinho, com o feirante conhecido de longa data, enfim, é um espaço que congrega todas as pessoas e onde que acreditamos conseguir atingir um maior número de pessoas, chamando a atenção para uma questão tão séria", afirmou.
Ao longo de todo 2012 os professores trabalharam o tema da prevenção contra a doença com as crianças, mas somente neste ano a iniciativa começou a ser pensada, discutida e elaborada com os alunos. A turma da aluna Camilly Vitória Pires, de 10 anos, foi uma das responsáveis pela elaboração de cartazes e contato com os parceiros para a realização dos trabalho, como a Secretaria de Saúde, que disponibilizou os panfletos, e um mercado, que auxiliou nos gastos que as crianças tiveram com a faixa.
"Achei bem legal, porque além de criarmos alguns materiais, que estão ajudando a informar as pessoas sobre o risco da dengue, a professora deixou nós telefonarmos para pedir apoio. A gente se sente importante quando pode fazer essas coisas de adulto", disse Camilly.
O feirante Antônio Fabro e a sobrinha Eloísa Fabro, proprietários de uma barraca de verduras há mais de 10 anos e moradores do Jardim Santiago (zona oeste), acharam a iniciativa criativa. "É válido, porque eles conseguem chegar a um número grande de pessoas e o que a gente mais está precisando hoje em dia é de pessoas comprometidas com. Todos os dias ficamos sabendo que novos casos têm surgido; isso preocupa muito", completou Eloísa.

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