Curitiba Parece cena do filme ''Cidade de Deus'', de Fernando Meirelles. Imagens encontradas dentro da casa de supostos integrantes de uma gangue de tráfico de drogas no bairro do Cajuru, considerado um dos mais violentos de Curitiba, revelam que nem mesmo as crianças estão livres dos desmandos de grupos rivais que vivem na região da Vila Trindade e da Vila Autódromo. Fotos apreendidas numa ação da Polícia Militar (PM), no último domingo, mostram crianças de três e quatro anos usadas como manequins pelas gangues. Elas tinham que fazer poses para fotografias com revólveres calibre 38 e até com uma escopeta calibre 12.
Ao todo foram apreendidas dez fotos (com crianças e adolescentes), cinco revólveres calibre 38 e uma escopeta calibre 12, além de farta munição de diversos calibres. Cinco pessoas foram presas em flagrante: dois adolescentes (que foram encaminhados para a Delegacia de Proteção ao Adolescente); Éder Meneguette, 18 anos; o irmão Rodrigo Meneguette, 22 anos; e Joel Rodrigues de Farias, 22 anos. Eles foram autuados em flagrante por porte ilegal de armas e formação de quadrilha. Nenhum deles justificou o motivo do arsenal e das fotografias encontradas.
''Eles invocaram o direito de falar apenas em juízo'', disse ontem o delegado Vinícius Augustus de Carvalho, titular do 6º Distrito Policial de Curitiba.
''O que parece é que essas gangues, ou quadrilhas, como preferimos nominar, queriam mostrar a força de armamento que tinham. O poder bélico. Para isso, eles não poupavam nenhum esforço'', disse indignado.
De acordo com a presidente do Departamento Científico de Segurança, órgão vinculado à Sociedade Paranaense de Pediatria, Luci Pfeiffer, o Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe qualquer imagem de criança ligada a atos sexuais ou de violência. ''Isso assusta porque é violência doméstica. Essas crianças vão crescer achando natural a manipulação de armas'', apontou ela. ''Essa situação é absurda.''
Nenhum dos revólveres apreendidos e manuseados pelas crianças e adolescentes tinha registro. Três estavam com a numeração lixada. A PM chegou até a casa através de uma denúncia anônima. ''Esse é o início da resolução dos casos de violência aqui no Cajuru. Essa parceria PM, Polícia Civil e comunidade é que poderá fazer com que essas gangues sejam desfeitas e os criminosos sejam retirados de circulação definitivamente'', complementou o delegado.
Nos próximos dias, a polícia pretende identificar as crianças e adolescentes que foram fotografados para tentar descobrir os motivos das fotos. Existem indícios de que os presos comercializassem armas furtadas na região do Cajuru. As delegacias de Homicídios e de Furtos e Roubos serão contactadas para saber se foram feitos assaltos com as armas apreendidas, latrocínios ou assassinatos.

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