A criança que passa por um grande trauma ou situação de extrema violência, como as que presenciaram o tiroteio na escola no Rio de Janeiro, podem desenvolver o estresse pós-traumático. Segundo a psicóloga Elsie Silva, de Londrina, cada criança vai reagir de uma maneira singular a esse fato, levando em consideração sua vulnerabilidade, história de vida, o grau de envolvimento afetivo no caso e a impotência frente àquela situação.
É comum que a criança desenvolva medo e tristeza, que irão diminuindo gradativamente. Outras crianças podem desenvolver ansiedade, dificuldade de continuar a rotina, mas com o tempo pode ser solucionado. Elsie ressalta que o quadro mais preocupante é quando a criança desenvolve perda de interesse pelas coisas, tristeza profunda, desânimo, o que pode evoluir para o transtorno de estresse pós-traumático. ''O paciente sente como se estivesse vivendo novamente toda aquela tragédia. Vem flashs na cabeça que provocam o mesmo sentimento como se a criança estivesse vivendo o fato de novo'', explica.
O portador pode desenvolver sintomas físicos como dor de cabeça, problemas gastrointestinais, tontura, dor no peito. As reações emocionais são insônia, pesadelo, culpa pelo que aconteceu, recusa em ir à escola, queda do rendimento, medo excessivo, choro e alterações de humor.
Elsie recomenda que a criança tenha acompanhamento psicológico e os cuidadores devem ficar mais atentos, percebendo as alterações emocionais e físicas. Os casos mais graves podem precisar de tratamento medicamentoso.
Os sintomas não necessariamente aparecem logo após o fato. ''Os sintomas podem aparecer a partir de um mês, por isso é importante observar a criança. Se a criança apresentou algum desses sintomas e foi diminuindo, ela consegue retomar a rotina, vai existir uma superação do fato. Se ela começou a apresentar alguns sintomas e isso vai evoluindo, com certeza ela vai precisar de uma ajuda diferenciada'', ressalta ela.
A psicóloga explica também que a criança pode oferecer resistência a ir em algum lugar e nesse caso deve haver um acompanhamento de uma psicóloga para que o pequeno enfrente gradativamente a situação. ''A intensidade dos sintomas é que vão direcionar o trabalho que tem que ser feito.''
Quando as crianças tomam conhecimento de determinadas notícias, podem desenvolver alguns medos, que segundo Elsie, é diferente do estresse pós-traumático. ''Ela desenvolve uma ansiedade antecipatória, é uma intensidade diferente, porque envolve a imaginação e não situações que está vivenciando. Ela vai precisar de um cuidado especial'', ressalta.
Morte
A criança que perde um amigo ou parente também precisa ter uma orientação correta de como lidar com a situação. ''A morte é uma coisa bastante difícil porque isso às vezes não está organizado na cabeça dos pais. Isso tem que ser conversado dentro da realidade'', explica Elsie, que não descarta que se fale que a pessoa ''foi para o céu'', mas que se explique como isso aconteceu.
A recomendação dos profissionais é também que a criança, quando perde alguém muito próximo, na medida do possível participe da cerimônia do funeral, o que a ajudará a entender que é um ciclo se fechando.

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