Marcelo AlmeidaMaria Tereza veio de Cascavel com dois filhos pequenosCrianças, adultos e velhos. Personagens urbanos e gente do interior. Pessoas com traquejo político e outras cujo único interesse é um pedaço de terra para plantar. Foi essa mescla de gente e de objetivos que encheu a Boca Maldita ontem à tarde.
A Boca ficou vermelha, tingida por bandeiras da CUT e do MST. Mas o grosso dos manifestantes foi mesmo mobilizado pelo MST, considerado o mais bem organizado movimento social do País. Pelo menos 50 ônibus chegaram de acampamentos e assentamentos do interior.
Marcelo AlmeidaAdemir da Silva e a esposa vieram de Porecatu com a filha
Entre os manifestantes, muitos já receberam terra, mas se mantêm vinculados ao MST. Outros estão a um passo de realizar o sonho. Maria Tereza Barbosa, 30 anos, espera para 1º de dezembro a entrega do seu lote na Fazenda Comozato, na região de Cascavel, invadida há seis meses e desapropriada há dois. Viajou quase nove horas, trazendo dois filhos pequenos para participar da manifestação. ‘‘Os acampamentos estão sendo maltratados e temos companheiros presos, por isso é que vim’’, contou.
Num canto da Praça Osório, Ademir da Silva, 26 anos, e a mulher Marilene, 20, descansavam com a filha Patrícia, de seis meses. O casal veio de Porecatu, onde participou há cinco meses da invasão da Fazenda Jacutinga. Estão dispostos a ficar no acampamento em Curitiba pelo tempo que for preciso, apesar de terem trazido pouco agasalho para o bebê. ‘‘Meu pai já é um assentado e sei que só com muita luta a gente consegue alguma coisa’’, disse Ademir. (L.A.K.)

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