Crianças partem para a briga... por direitos
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quinta-feira, 12 de junho de 2008
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Sem esperar pela ação dos adultos, crianças estão partindo para a briga na tentativa de garantir direitos fundamentais como educação, segurança e lazer. Em Londrina, três fatos recentes reforçam que a infância já não é mais a idade da inocência. Meninos e meninas, pequenos cidadãos, já não temem desafiar a ordem das coisas para chamar a atenção para problemas de suas comunidades.
Foi o que aconteceu na última terça-feira à noite, na Avenida Guilherme de Almeida (Zona Sul). Após verem o colega Wiliam Moreira da Silva, 11 anos, ser atropelado quando voltava da escola para a casa, no Jardim União da Vitória, um grupo de mais de 30 crianças interrompeu o trânsito no local ateando fogo em pneus e madeira. Elas exigiam melhorias na sinalização e a recuperação de uma viela para pedestres que margeia a avenida. ''Fomos nós que organizamos o protesto porque é um direito nosso'', argumenta uma menina de 11 anos.
Enquanto o grupo iniciava o protesto, um colega de sala de Wiliam foi avisar a família dele. A mãe, Rosilene Moreira, conta que encontrou o filho desacordado, já no Hospital Infantil. Ela reclama que tentou colocar o filho numa escola mais próxima de casa, justamente porque tinha medo dele ter de passar pela avenida. ''Mas disseram que não tinha vaga e não teve outro jeito'', lamenta Rosilene, que aprovou a atitude dos colegas do filho. ''O protesto foi muito bom porque a avenida é muito perigosa e ninguém faz nada para melhorar'', afirma. No dia seguinte, a direção da escola onde Wiliam estuda ainda não sabia sobre o acidente, nem as razões dele ter faltado às aulas na turma da 6 série.
Há uma semana, mobilizados pelo Conselho Escolar, estudantes de escolas da Zona Norte saíram às ruas para pedir mais segurança. Eles estão assustados com ameaças que professores e funcionários estariam recebendo e com atos de vandalismo e violência em colégios da região. Neste caso, eles foram orientados por adultos, mas nem sempre é isso que acontece.
No início do ano, por exemplo, a FOLHA reportou a iniciativa de dois amigos estudantes de 12 anos, do Conjunto Violin (Zona Norte), que uniram esforços para fazer com que a praça em frente ao colégio onde estudam fosse recuperada. Mário César da Silva Júnior e João Vitor Francisco nem sabiam o que era um abaixo-assinado mas se informaram e chamaram a atenção da imprensa da cidade inteira. Até passaram a ser procurados por moradores para resolverem outros problemas. A praça do bairro continua do mesmo jeito mas os dois garantem que não vão desistir. ''Até agora não arrumaram nada mas vamos tentar, tentar, tentar até conseguir'', garante Júnior. Ambos afirmam que não há idade certa para querer o bem comum. ''Acho que em qualquer idade e qualquer pessoa pode fazer isso'', complementa João Vitor.
No início, o pai de Júnior, Mário Cézar da Silva, confessa que ficou temeroso: ''Ver duas crianças mexendo com coisas de adulto deu um pouco de medo, preocupação. Mas depois fui vendo que poderia dar certo''. ''Fiquei surpreso mas foi até agradável, porque todos os vizinhos elogiaram. Como pai, acho que foi uma coisa certa eles pedirem uma melhoria para o bairro'', orgulha-se o pai de João Vitor, Benedito Francisco.


