Crianças no campo de visão
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quinta-feira, 31 de julho de 2008
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Dois casos recentes de bebês que morreram em creches de São Paulo tem chamado a atenção de pais e profissionais sobre a estrutura e o atendimento nessas instituições. Muitas famílias deixam os filhos durante todo o dia sob os cuidados de funcionários de creches públicas ou particulares, que precisam de treinamento específico para o atendimento das crianças.
O Centro Municipal de Educação Infantil (Cemei) Valéria Veronese é o maior de Londrina e atende 260 crianças de três meses a seis anos. Logo cedo, por volta das 7 horas, as mães começam a chegar com os filhos que ficam sob os cuidados de 61 professoras, duas delas auxiliares pedagógicas, e da diretoria.
Entrevistadas pela FOLHA, as mães contam que os casos ocorridos em São Paulo chamam a atenção, mas se sentem tranquilas em deixar as crianças no Cemei, localizado na Área Central. A auxiliar de cabeleireira, Vanessa Balbino, deixa a filha Flávia, de um ano e um mês, no Centro desde os oito meses de idade. ''Nunca tive nenhum imprevisto aqui. O atendimento é ótimo, especializado. As professoras cuidam muito bem. Confio no trabalho das professoras.''
Priscila Mattos, vendedora, também deixa o filho Felipe de dois anos no Centro durante todo o dia. ''Em quatro meses nunca tive problema nenhum. Eles conhecem meu filho, têm todas as informações da criança, qualquer dúvida me ligam. Confio muito no trabalho das professoras. Fico tranquila para trabalhar.''
Para Jaqueline Pilar Fernandes, auxiliar de salgadeira, a confiança no Centro faz com que ela deixe o filho João Paulo de quatro anos sem nehum tipo de preocupação para trabalhar durante todo o dia. ''Ele gosta tanto que pede para vir até no final de semana.'' Ela ainda aguarda uma vaga para a filha Érica, de seis meses, que vai com ela para o trabalho.
De acordo com a diretora do Centro, Cristiane Martins Kussina, que há nove anos trabalha no local, os pequenos acidentes acabam acontecendo, em função do grande número de crianças. ''Cair, trombar, bater em quinas de móveis são acidentes que acontecem. Evitamos móveis de quinas e estamos sempre atentos'', afirma.
Os cuidados se concentram também durante o sono e a alimentação das crianças. A alimentação é individualizada e todos os bebês são colocados para arrotar depois das refeições. Durante o sono, os professores ficam sempre de olho nos bebês. ''As crianças têm que estar o tempo todo no nosso campo de visão. São situações que precisamos prever''.
Outro detalhe ressaltado pela diretora é que os acidentes podem acontecer com qualquer pessoa. ''As crianças podem estar aqui ou mesmo em casa, com os pais. Todos precisamos estar atentos. Pode acontecer com qualquer um.''
(M.O)


