Crianças não podem brincar na rua
A dona de casa Maria Elizabeth dos Santos Xavier Moreira, 27 anos, sofre com o problema da violência no Jardim Graziele, em Almirante Tamandaré. Ela mora há 20 anos na região e disse que nunca enfrentou uma situação tão grave como agora. ‘‘A gente não pode deixar as crianças brincando para o lado de fora de casa, elas só podem ficar lá dentro para evitar problemas’’, disse ela. Na semana passada, a mãe dela foi assaltada dentro do ônibus. As casas da região são constantemente arrombadas. ‘‘A violência entrou até dentro da escola municipal’’, contou ela. Sua sobrinha, que estudava na Escola Municipal Jardim Graziele, apanhou de crianças maiores e teve seu lanche roubado. ‘‘Em casa, as roupas que penduramos nos varais não ficam muito tempo. Se esquecermos, elas já são roubadas’’, comentou.
Para Maria Elizabeth, as drogas e a falta de educação dos adolescentes são os grandes responsáveis pela violência urbana. A filha Laísa, 6 anos, sentiu tanto medo dos alunos da escola que teve que ser matriculada em outra instituição. ‘‘Temos que pagar ônibus diariamente, mas não vou deixar minha filha apanhar na escola’’, disse ela.
O taxista Dilson Xavier, 44 anos, dá graças a Deus por poder trabalhar em Curitiba. ‘‘Tem muita violência por aqui, morte, tiroteio é todo o dia. A gente sente muito medo’’, contou ele. ‘‘Fora de hora não dá pra sair de casa. Tem que ficar trancado com a família. A gente perde completamente a liberdade’’, salientou ele.
O aposentado e proprietário do Bar e Mercearia Nego Vitor, Vitor Damásio Hilário, de 50 anos, também critica o índice de violência e criminalidade na região. ‘‘A gente não tem sossego nem dentro de casa’’, disse ele. Apesar de todos falarem sobre a violência, ninguém se arrisca a apontar os culpados pelos problemas criados entre gangues. ‘‘Geralmente são jovens e adolescentes. A gente sabe quem anda em grupo e provoca as confusões, mas não adianta apontar os culpados’’, declarou o pedreiro João Góis da Silva, de 50 anos. (L.P.)

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