Crianças não conseguem se alfabetizar
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sexta-feira, 09 de outubro de 2009
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Ler, escrever um pequeno texto e interpretar o que foi lido. Habilidades que definem o êxito do processo de alfabetização, essas ações não são atingidas por 23% das crianças matriculadas na 2 série do ensino fundamental de oito anos da rede municipal de Londrina.
Excesso de faltas, dificuldades cognitivas, falta de amadurecimento ou mesmo deficências como síndrome de Down ou Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) são alguns dos fatores que dificultam o cumprimento dos objetivos propostos para a série.
As consequências são preocupantes. De acordo com a assessora pedagógica de alfabetização da Secretaria Municipal de Educação, Rosana Daliner Acosta Marchesi, os meninos e meninas que passam dos nove anos sem saber ler ou escrever correm mais riscos de abandonarem a escola e tornarem-se analfabetos funcionais.
''Após essa idade surgem novos interesses e eles ficam sem estímulo'', avaliou, acrescentando que as dificuldades de aprendizagem geram também indisciplina e agressividade. ''Se a criança não aprende, a escola perde a função na vida dela.''
A mudança no sistema de ensino de oito para nove anos, no início de 2009, agravou o problema. Como a rede não vai mais oferecer a segunda série no ano que vem, os estudantes não alfabetizados não poderão ficar retidos e refazer o conteúdo novamente. ''O segundo ano de nove anos atenderá crianças menores, com conteúdos diferentes'', explicou.
Além disso, os alunos que completaram sete anos em 2009, vindos do primeiro ano do novo sistema de escolas particulares ou de outros estados, tiveram que ser matriculadas na segunda série, pulando conteúdos. Numa das escolas visitadas pela reportagem da FOLHA, um garoto de apenas seis anos foi matriculado na segunda série, em uma sala com crianças de oito anos, por necessidade de adequação à mudança no sistema.
O diagnóstico levou a secretaria a iniciar no mês passado o projeto ''Tecendo Letras'', que oferece acompanhamento escolar aos alunos com dificuldades. Conforme dados do município, dos 5.646 alunos matriculados na segunda série neste ano, 1.342 apresentam dificuldades de aprendizagem e foram incluídos na iniciativa, o que perfaz o índice de 23%.
Diferentemente do contraturno regular, o programa inclui quatro horas diárias a mais de aulas, com metodolgias dinâmicas para despertar o interesse dos alunos, o que inclui jogos, brincadeiras e uso de materiais concretos. As atividades são sempre elaboradas em torno de um mesmo tema. ''O objetivo é que elas se alfabetizem e tornem-se aptas a cursar a terceira série'', disse.
A equipe de 108 professores participa de encontros semanais para confecção de materiais de trabalho e treinamento teórico. As crianças atendidas, segundo Rosana, devem continuar participando das aulas extras no ano que vem.


